BRASIL NO CORAÇÃO

Nova mercearia de queijos nacionais é mais uma amostra de que nossos produtos estão ganhando espaço no mercado

 

por Bruno Weis

 

Gorgonzola, brie, emmenthal, mozzarella, cheddar. Estes e outros queijos fabricados na Europa têm destaque na mesa do brasileiro há muito tempo. Essa cena tradicional, porém, está mudando – e o brasileiro começa a conhecer tipos e variedades de queijos feitos por aqui que vão além do queijo “Minas” de cada dia. A Mercearia Mestre Queijeiro, aberta há poucas semanas em Pinheiros, São Paulo, é uma das frentes desse movimento de disseminação da produção nacional e de valorização dos artesãos de queijo. “A gente acredita no queijo brasileiro, um produto com mais de 400 anos de história. Só em Minas Gerais são mais de 30 mil famílias que vivem de agricultura familiar e mantêm a tradição, passada de pai para filho”, comenta o especialista Bruno Cabral (acima), o mestre-queijeiro da mercearia homônima. Formado em gastronomia pela Escola de Hotelaria e Restauração de Barcelona, onde viveu por oito anos, Cabral é um dos maiores pesquisadores do assunto no Brasil. Abaixo, ele destaca oito dos cerca de 30 queijos à venda em sua loja. facebook.com/mercearia-mestre-queijeiro

Além de queijos, a mercearia de Cabral vende pimentas, cachaças, geleias e outras iguarias 100% brasileiras

 

Elenco Nacional

Alguns dos queijos brasileiros vendidos pelo Mestre-Queijeiro

 

SIMPLICIDADE E CAPRICHO

Ele, cozinheiro apaixonado por ingredientes brasileiros, colecionador de farinhas. Ela, administradora de empresa, aficionada por cachaça. A união dos irmãos Marcelo e Carol Bastos (abaixo a esq.) faz do Jiquitaia (abaixo a dir.) um dos restaurantes mais concorridos do momento para quem gosta de sabores nacionais. Naturais de Londrina, no Paraná, os Bastos são os responsáveis pela comida despretensiosa – e muito bem-feita – e pelo clima acolhedor do lugar, aberto há dois anos na Bela Vista, em São Paulo. “A comida brasileira não é tão simples, tem muito ingrediente”, diz Marcelo, autor de receitas como costelinha de porco com barbecue de tamarindo, batata-doce com queijo gorgonzola e castanha-do-pará e das linguiças artesanais servidas na casa (foto). As linguiças, por sinal, junto com as farinhas (são seis tipos disponíveis ali) e as cachaças selecionadas por Carol (há mais de 70 rótulos na casa), resumem a simplicidade e o capricho do restaurante. jiquitaia.com.br

 

DO BARU

Você deve conhecer castanha, nozes, avelã, certo? E baru, conhece? Pois a semente 100% brasileira, típica do Cerrado, ainda vai chamar sua atenção. Cada vez mais restaurantes estão aproveitando as propriedades culinárias – e nutritivas – da castanha em suas receitas e preparos. Até no moderno Ramona, no centro de São Paulo, o chef Bruno Fischetti (abaixo)  deu destaque ao ingrediente no prato “posta de buri em crosta de castanha de baru, purê de mandioquinha e acelga chinesa salteada no alho” (acima). “O baru é adocicado e pouco oleoso. Gosto de investir em ingredientes inseridos na culinária brasileira”, explica o chef, cuja bagagem baseia-se sobretudo na cozinha italiana. casaramona.com.br

 

MAPEAMENTO E CURADORIA

O engenheiro e psicólogo André Melman viajou o mundo e trouxe uma ideia na bagagem: criar um “food hub” para aproximar produtores e clientes. O projeto, chamado Farofa.la, nasceu há um ano quando ele e seu sócio, Mikael Linder, colocaram em pé o site que mapeia, faz a curadoria e promove a venda dos produtos. Hoje, são 21 itens disponíveis, de geleias, massas, pimentas e cervejas até azeite extravirgem produzido no interior de Minas Gerais. “Todo produto tem uma história para contar”, diz Melman. “Nosso mapeamento valoriza o que é familiar, orgânico, artesanal, além de contemplar atributos ambientais, sociais e gastronômicos.”  www.farofa.la

 

VERSÃO NACIONAL

Se você não pode vencê-los, junte-se a eles. O famoso ditado vale para a versão brasileira do Kobe Beef, feito a partir da carne do gado wagyu, raça tipicamente japonesa. Famoso por seu sabor único – e preço elevado –, o Kobe Beef agora está mais comum nos restaurantes brasileiros. Isso porque desde 2007 a raça vem sendo criada no Brasil, o que permite valores mais acessíveis para o produto. Assim é praticado na nova casa de carnes Calle 54, aberta há poucas semanas no Itaim. Neste restaurante, de ambiente jovem e serviço descomplicado, todos os cortes (a maioria argentinos) podem ser feitos com a cobiçada carne marmorizada. Na foto acima, o sócio Otavio Faggion apresenta um ojo de bife feito com Kobe Beef e acompanhado por risoto de alho-poró (R$ 98). calle54.com.br