GUILHERME FONTES

O ator fala sobre a polêmica em torno de seu filme Chatô, garante que foi vítima de uma conspiração e que, pasmem, o longa estreia ainda este ano

 

Por Rosane Queiroz  

Foto Eduardo Zappia (Ag. Istoé)

 

STATUS 35 - ENTREVISTA

 

Guilherme Fontes é um homem em obras. Em sua casa, na Gávea, no Rio, dois pedreiros acenam de uma laje de cimento, confirmando o endereço. Na garagem, o único carro é uma Pathfinder antiga. Dezenas de degraus levam a uma casa rústica de madeira e vidro. A piscina está com lodo. Falta um rodapé no lavabo. Nada que denuncie um estelionatário – como o ator foi apontado no polêmico caso “Chatô”. Guilherme é acusado de mau uso de dinheiro público no longa-metragem  Chatô – o rei do Brasil, sobre a trajetória do empresário das comunicações Assis Chateaubriand, baseado no livro homônimo de Fernando Morais, que está em produção desde 1995. O ator defende a tese de que tudo não passou de uma conspiração dos tubarões do cinema nacional contra um estreante atrevido. “O otário sou eu”, diz ele, de camiseta por dentro do jeans, cinto de couro e Havaianas nos pés. Aos 47 anos, sete quilos mais magro, recém-separado e com um recente implante de cabelos, o empresário Flávio, da novela Além do horizonte, comemora o retorno ao papel de galã: “Voltei a beijar na boca!” Falante – e gesticulando bastante, com as mãos geladas –, Guilherme detalha, indignado, sua versão do escândalo que renderia um belo enredo para Woody Allen. E ousa afirmar: “O filme estreia este ano.”

– Você emagreceu para fazer a novela?

Graças a Deus! Perdi sete quilos. Não dava para continuar gordinho. Fechei a boca. Esse é o segredo. A novela me animou. Pensei: “Vou ficar bonitinho.” Joguei futebol durante anos. Agora tenho apetrechos em casa: descobri um rolinho milagroso para o abdome (ele mostra uma roda dupla com suportes laterais para as mãos). Você ajoelha e rola para a frente e para trás. Incrivelmente eficaz. Não estou com vontade de ficar velho e gordo.

– Seu recente implante de cabelos deu o que falar…

É algo que sempre quis fazer. Sempre tive problema de queda de cabelo. Criei coragem. Minha preocupação é estar bem de saúde, de cabeça. Não quero me tornar aquele cara que repete: “Ah, quando eu tinha 20 anos…” Morro de medo de cafonice, caretice, chatice. Meu primeiro emprego foi em loja de roupas, na Yes Brazil. Aprendi que você deve estar sempre à frente ou atrás da moda. Nunca nela. Sou low profile, apesar das más línguas.

– Como define sua fase atual?

Estou numa fase calma. Sinto que vou retomar o ritmo aos poucos. Passei nos últimos anos por coisas estranhas, que levariam qualquer um a querer sumir. Eu tinha quatro empresas: uma finalizadora de cinema, uma produtora, um estúdio e uma editora. Com essa maluquice do filme, as quatro quebraram. Tudo em cinco anos, entre 1999 e 2004. Como não tinha nada a dever, concretamente, pensei: “Tá maluco? Cuide de você.” Ainda mais eu, que estudei tanto sobre quão volúvel é a imprensa. Em 2005, resolvi fazer filhos (Carolina e Carlos). Minhas obras concretas. 

– Como você conta a história do filme Chatô?

Eu não contei ainda. Não tive canal para contar. Jornal vira embrulho de peixe. E o que contei ninguém acreditou! O fato é que uma mentira repetida vira verdade. Foram vários movimentos: primeiro, quem era eu para comprar os direitos do livro? “Quem é este moleque, um atorzinho?”. “Nossa, que projeto grande, ele nunca vai conseguir fazer”. “O quê? Ele captou dinheiro?! Não, não vai fazer”. “Ah, ele está filmando? Como assim?!”. “E filmou quase tudo? É impossível!”. Até a ponto de, no final, dizerem: “O que ele filmou é bom?”Ahhh, não é possível!”. Foi assim que o caos se instalou.

– O jornalista Fernando Morais (autor do livro Chatô – o rei do Brasil) é um dos poucos que o defenderam no auge das acusações, dizendo que você foi vítima dos “tubarões” do cinema nacional. É essa a sua tese?

Sim. Os nomes são terríveis, envolvem pessoas famosas e respeitadas. Não há condição de citá-los. Esses inimigos nunca mostraram a cara, exceto os agentes públicos e um ou outro jornalista suspeito. Tenho na cabeça uma peça de teatro com o título: Esse otário sou eu. É como me sinto.

– Você acredita que sua ingenuidade foi proporcional a sua ousadia, na época?

Não sou um cara ingênuo, mas prefiro ver o lado bom das coisas. Fui descobrindo o poder político, a morosidade da Justiça. O que aconteceu foi uma conspiração, um estupro. Brinco que não foi um crime tributário, foi um crime passional. Com o tempo talvez eu tenha coragem de falar, porque soa ridículo dizer que muita coisa tem a ver com assuntos de mulher, histórias do passado. O fato é que comecei com pouco dinheiro e cheguei muito longe, muito rápido. Quando os jornais vieram para cima de mim com aquela virulência, havia interesses por trás. Os atores com peso de produção são mais fortes do que os produtores. Isso não é palatável para o sistema. Eu estava muito à frente.

– Bem, vamos voltar a fita: como Chatô pintou na sua vida?

Eu estava me separando da (atriz) Cláudia Abreu, numa fase triste, confusa. Comecei a ler o livro. Aí, estava na Plataforma (famosa churrascaria no Rio) com a Malu (Mader, atriz) e dois amigos.
Vi o Barretão (Luiz Carlos Barreto, diretor de cinema) com o Fernando Morais e o Eric Nepomuceno (escritor) em outra mesa. Pensei: “Olha lá o outro atacando o livro. Não posso deixar isso acontecer.” Eu queria fazer um filme, não sabia qual. Foi um insight! O Eric, que eu conhecia de uma viagem a Cuba, me cutucou e me apresentou o Fernando. Vinte dias depois levei a proposta a ele.

Luiz Carlos Barreto, disputou os direitos de filmar Chatô com Guilherme Fontes, e perdeu.

Luiz Carlos Barreto disputou os direitos de filmar Chatô com Guilherme Fontes, e perdeu

– Por que o Fernando vendeu os direitos para você e não para o Barreto?

Porque paguei bem. Paguei o dobro do que a Globo pagava por um direito autoral, na época.

Fernando Morais vendeu os direitos do livro para Guilherme

Fernando Morais vendeu os direitos do livro para Guilherme

– De onde tirou esse dinheiro?

Eu tinha economias pessoais e havia acabado de fazer a peça Desejo, com a Vera Fischer, que foi sucesso. Estava cheio de dinheiro. Mas não foi só por isso que Fernando vendeu para mim. Minha proposta era boa. O Chatô foi um dos primeiros projetos multimídia, que incluía série, minissérie, documentários e longa metragem. Produzimos 27 documentários sobre 13 personagens da história. O que não podia imaginar era que o Fernando Henrique (Cardoso) fosse comprar a reeleição, que o dólar fosse explodir, que a virada de um governo para o outro significasse mudanças de agente público, e que esse novo agente teria outros interesses. Também não entendia o Brasil não querer contar a própria história. A história do Brasil é suja! Passamos quase um século sob ditadura. Uma Venezuela velada! O Chatô era um homem de direita. Houve uma audiência em que um advogado chorava e dizia: “Esse homem prejudicou minha família, não pode ser homenageado.” Muita gente se divertiu com essa situação. Recebi carta de ódio mortal de um supercineasta porque eu tinha contratado o Coppola (Francis Ford Coppola, diretor de cinema americano).

– Como foi esse encontro com o Coppola?

Eu sempre quis ter uma empresa de finalização no Brasil. Também queria um roteiro legal. Pensei: “Tenho a melhor história do Brasil, quero o melhor cineasta do mundo.” Minha cunhada, mulher do meu irmão, tinha ficado amiga do Coppola numa vez em que ele veio ao Brasil com o Robert de Niro. Essa cunhada viajou, encontrou com ele e falou de mim.

Francis Ford Coppola com o ator

Francis Ford Coppola com o ator

– E como ela ficou amiga dele?

Ah, o Copolla é um garanhão, né? (risos). Com ela, nunca teve nada, mas foi simpático, gentil e tal. Disse: “Fala para o teu cunhado vir aqui.” Primeiro, fiz uma carta longa explicando quem eu era. Antes de fazer sucesso na tevê, eu vim do cinema, do Teatro Tablado. Fiz meu primeiro filme com o Jorge Duran (A cor do seu destino, 1986), depois com o Cacá Diegues (Um trem para as estrelas, 1987). Enfim, ele marcou comigo em Napa Valley. Foi incrível!Totalmente O poderoso chefão. Ele estava na mesa, com o jornal aberto, sem mostrar o rosto. Eu entrei, ele baixou o jornal. Contei que tinha a história do poderoso chefão do Brasil, o nosso Cidadão Kane. A coisa foi se costurando. Ele veio passar o Revéillon no Brasil com a família. Lembro que, em Angra (dos Reis), acordei, ele estava de terno para uma entrevista sobre o filme, e eu de sunga. A gente não tinha assinado nada. Eu me troquei rápido e demos a entrevista. Ali, foi tudo fechado.

– Ele não questionou, afinal, quem era você?

Claro que sim. Mas como ele não ia dirigir… Eu queria o Daniel Filho, mas ele estava montando a Globo Filmes e não pôde. Até me deu um cano numa reunião com o Coppola. Então, decidi dirigir. Ele viu o material e gostou. O roteiro foi montado com os olhos dele. E abri a finalizadora com a tecnologia dele. Mais tarde, em meio à confusão, Coppola dizia: “Já passei por esses problemas. A imprensa sempre vai estar no meio de duas pessoas que brigam.”

– Falou-se, na época, que você gastou R$ 300 mil com esse Revéillon dele no Brasil.

Falso! Sabe aquele sofá ali? (ele aponta para um sofá de madeira com almofadas de tecido). Saiu no jornal que paguei US$ 60 mil por ele. Para a imprensa, virei um craque em superfaturar. Dia desses, abri a porta para o cara da tevê a cabo, ele tomou um susto e disse: “Nossa, você não está preso?”(risos)

– Pelo que consta, em 2008, sob processo instaurado pela Ancine, você teve irregularidades apontadas nas contas de produção do filme e foi condenado a devolver R$ 36,5 milhões ao Estado. Além disso, em 2010, foi condenado a três anos, um mês e seis dias de reclusão por sonegação fiscal – pena convertida em trabalho comunitário e multa. Como você se sente com essa dívida imensa com o cinema nacional?

Primeiro, eu durmo tranquilo porque nunca desviei um real. Essas duas condenações são uma piada. Esse valor de R$ 36 milhões não existe. Foi corrigido com juros pelo poder público. É um número para boi dormir. O que captei de fato foram R$ 12 milhões. Recebi R$ 8,6 milhões, que investi integralmente no projeto. Como é o jogo? Quando você quer destruir alguém, basta mandar fiscais. Caí na besteira de dizer: “Podem mandar os fiscais.” Só que eles vieram mesmo, e vieram todos! O Brasil é fake! É uma história complicada, mas vamos lá: quando você capta incentivo fiscal, esse dinheiro não é tributável. Mas o fiscal bandido veio dizer que não tinha sido patrocínio. Que eu tinha de recolher imposto, sim. E meteu uma multa de um milhão e porrada. Eu não tinha culpa, mas isso não importa! Importa a dúvida, o processo, o tempo que vou perder, a difamação que vai causar. A outra condenação é do Imposto de Renda. Eles disseram que eu não tinha dinheiro para ter o apartamento em que eu morava, que comprei com a rescisão da TV Globo, em 1997. Fui demitido porque não quis fazer a novela Anjo mau e me pagaram o contrato inteiro. Tive de localizar os cheques. Provei que estava certo, mas ainda estou correndo atrás.

– Qual trabalho comunitário fez?

Não fiz. Ainda estou recorrendo. Tudo é descabido! Eu me sinto numa Rússia! Parar um filme é normal! Existem vários filmes nacionais que demoraram anos para captar! Esse filme do Barreto, sobre a Lota Macedo Soares (Flores raras, 2013), demorou anos! É comum! Mas no meu caso, não. Porque era um projeto ousado e com um nome poderoso. Coloquei R$ 3 milhões do meu bolso.

– Onde arrumou esses R$ 3 milhões?

Operando minhas empresas, com terceiros. Sou bom para captar. Ainda mais se estou à frente de alguém que tem dinheiro.

– Você tem dívidas?

Com pessoas físicas, não. Tenho dívidas de aluguel de filmagens. Nunca devi a ator. Só tem um técnico ou dois que me deram um prejuízo tão grande que botei no final da fila.

– Como foi feita a investigação?

Rola uma auditoria interminável. Em 2008, a agência de cinema resolveu repetir o processo. Esse diretor atual da Ancine (Manoel Rangel) me odeia! Para ele, o filme não existe.

– E o filme existe?!

Que filme? (risos) Essa é minha resposta pronta. Olha, eu tenho o certificado assinado pelo diretor da Ancine. Ele nem sabe que assinou. Filmei em 1999, 2002 e 2004. Nunca houve uma filmagem cancelada, nada que denotasse falta de profissionalismo. Ele está com 1 hora e 53 minutos. Acabou. Levei três anos para filmar 80% e quase 14 para fazer 20%. Você imagina?

– Acabou?! O que falta para lançar?

Está faltando um dinheirinho para fazer a trilha sonora e a computação gráfica.

– O Marco Ricca (ator que faz o Chatô) viu o filme? Como ele se posicionou?

Entre os atores, só ele viu. E se acalmou. Sua interpretação é magistral. Ele diz que eu não tenho a dimensão do quanto minha vida vai mudar quando o filme sair.

– Qual foi o pior momento dessa história toda?

Ah, a hipótese de desviar recursos. E a ideia de tirarem o filme de mim. Em 2000, o Ministério da Cultura fez um documento falso, apócrifo, em que dizia passar o projeto para outra empresa. Como se fosse possível! Além de ser acusado de ladrão, eu estava sendo roubado. Isso me ofendeu muito! Eu me vi ali obrigado a ir atrás do assunto. Fiquei impedindo o processo de ir para o TCU (Tribunal de Contas da União), achei que era um buraco negro onde ia me perder ainda mais. Foi o contrário. É onde há mais pessoas isentas. Ganhei de 8 a 1. Esse um foi voto de suspensão. O cara não entendeu porque eu estava sendo julgado. Isso me deu ânimo. Eu disse: “Espera aí, esse filme é meu!” Vou estrear quando ele ficar pronto e não porque o governo falou: “Ah, arruma aí, entrega essa merda do jeito que está.” Só que esse orgulho de fazer como concebi virou contra mim. Demorou demais.

– Não pensou em uma parceria ou em reformular o projeto?

Voce não está entendendo. Eu tentei de tudo. Ninguém quis! As pessoas fugiram! Isso aqui é a Rússia! Todo mundo tem um rabo preso horroroso. Então, como iam se meter comigo? No caso de reformular, um dos roteiristas, o João Emanuel Carneiro, chegou a fazer uma montagem incompreensível, que não dava.

– Onde você errou? Poderia ter administrado melhor os recursos?

Em absoluto. Meu erro foi acreditar que eu era infalível e que não faltaria dinheiro. Em 2005, o FHC se retratou e me deu um contrato com a Petrobras. Mas era o último ano do governo. Quando Lula entrou, os petistas cassaram novamente. O filme não saiu porque faltou grana. Ah, vamos tirar o reboco, pintar só uma parede. Isso não existe. O prédio ficou sem telhado.

– Você voltou para a TV Globo em 2000. Pediu para voltar?

Não. Quando eu fui difamado…. (se emociona) Eu não posso falar tudo. Bem, fiquei até 1999 envolvido com o filme. Quando ganhei a ação no TCU, deu aquele vácuo de silêncio na inteligência. E agora? Das páginas policiais, passei imeditamente a príncipe da princesa. A Denise Saraceni (diretora de tevê) me chamou para ser o par da Sandy em Estrela guia. Achei aquilo emblemático. Eu estava quebrado. Pedi um dinheiro e sugeri que a Globo compre o filme para a tevê. Ainda estamos negociando.

– Você foi hostilizado pelos colegas?

Nunca. Os atores, no fundo, sabem da verdade. Entrei e saí da Globo umas 20 vezes. Daniel (Filho) sempre me chamou, Ricardo (Waddington). Amora (Mautner) me convidou para o Cordel encantado. Depois do príncipe, fui um vigarista na novela Bang bang. Daí em diante, o engraçado é que só fiz papel de otário e corno (risos). Agora, estou retomando a fase de galã.

– Você teve seu auge como galã em novelas como Mulheres de areia e A viagem. Aproveitou bastante?

Fiquei solteiro pouco tempo na vida. Comecei a namorar a Cláudia (Abreu) em Bebê a bordo (novela de 1988). Ficamos juntos cinco anos. Foi meu primeiro casamento importante, legal. Era uma época de muitas festas. A gente se divertiu. Quando me separei, digamos que fiz a linha Caio Castro, fiz um strike na cidade (risos). Tive todas as mulheres que quis.

Cláudia Abreu e Guilherme Fontes começaram a namorar durante a novela Bebê a bordo e ficaram casados por cinco anos

Cláudia Abreu e Guilherme Fontes começaram a namorar durante a novela Bebê a bordo e ficaram casados por cinco anos

– Namorou a Luana Piovani…

 Foi nessa época. Mas nada exibicionista. Também não tinha essa paranoia de fotos, redes sociais… deu para curtir legal. Depois conheci a Patrícia (Lins e Silva) e fiquei 16 anos casado. Recentemente nos separamos e mudei para esta casa, que era de fim de semana.

– Como tem lidado com a separação?

 É triste, complicado. Sou o caçula de pais separados. Sofri. Minha mãe ficou com sete filhos, aos 28 anos. Meu pai era representante comercial, não tinha grana. Fomos morar com meus avós no Jardim Botânico. Era uma loucura, sete crianças num quarto, em dois triliches e um berço. Então, estou atento aos meus filhos. Não quero empregada. Quando estou com eles, eu mesmo dou banho, cozinho. Aprendi a fritar bife alto. Adoro.

– Teve depressão? Fez terapia?

Terapia, não. Claro que às vezes eu caio. Já me ocorreu sair de cena. Parei de acreditar nas pessoas. Ao mesmo tempo, penso que sou afortunado, não tenho que reclamar. Tenho uma mãe incrível que me diz: “Não desista!” Tive uma mulher companheira. Segurei a onda com amigos que conto numa mão e de outras maneiras inconfessáveis.

– De qual droga se aproximou mais?

Maconha. Mas nada que tenha me fodido. Acho que todas as drogas devem ser liberadas, são uma questão de saúde pública. O álcool é a pior delas. Ultimamente tem me feito mal. O que não consigo largar é o chocolate. Nos momentos difíceis, eu me entupia de chumbinho da Kopenhagen.

– Você processou alguém?

 Eu tenho uma listinha. Às vezes fico olhando… e penso em deixar para lá. Mas fui prejudicado moralmente, emocionalmente. Quando cruzo com essas figuras, ou elas atravessam a rua, ou eu atravesso. Outro dia encontrei um deles e agi como se nada tivesse acontecido, mas minha vontade era dizer: “Cara, por tua causa perdi 14 anos da minha vida.” São pessoas poderosas. Preciso primeiro lançar o filme.

– Em 2015 o projeto completa 20 anos. É o momento…

O momento é agora. Estou vendo o meio de botar esse último recurso. Meu sonho é acordar e mudar de sonho. Quero reabrir minha produtora. Há muito tempo falta pouco, mas não sou rico. Porra, se tivesse desviado dinheiro, esse filme já tinha acabado há tempos, né? Preciso colher o fruto desse trabalho. Vou estrear este ano. E vai ser uma coisa muito louca. As pessoas vão se surpreender. Está quase, está quase. Eu brinco que sou o homem de menos R$ 100 milhões.

– Você já afirmou em outras ocasiões que o filme seria lançado…

Mas agora ele está finalizado, nunca faltou tão pouco. Mas nunca se sabe o que pode acontecer…                              ­