PENSE E DANCE

Formado por seis DJs e um VJ, o coletivo Metanol reinventa e democratiza a cena da música eletrônica em São Paulo sem depender dos clubs

 

Por Piti Vieira

 

STATUS 35 - APPROACH, PLAY

Música eletrônica contemporânea. É assim que o coletivo independente Metanol define o seu som autoral, à base de batidas pesadas desconstruídas, em que se identifica estilos como techno, drum’n’bass, funk, hip-hop e outras vertentes, resultado da extensa pesquisa realizada pelos seis DJs do grupo: Akin, MJP, Oh! Mussi, Seixlack, Soul One e Vekr, além do VJ U-RSO. “Nossa especialidade é divulgar e produzir música que dialogue com gêneros elementares da eletrônica”, diz Akin, fundador do coletivo. “Fugimos o tempo todo do senso comum, musicalmente falando. Gostamos de incitar o raciocínio, a curiosidade, valorizando ritmos que façam seu cérebro dançar mais do que seu corpo.”

O Metanol, formado em 2011, ficou conhecido por meio de um programa de mesmo nome transmitido semanalmente pelo site metanol.fm, às terças-feiras, das 20 horas às 22 horas. Diretamente da “zona de quarentena” (como é chamado o estúdio de onde eles transmitem o programa), o grupo começou a disseminar sonoridades desconhecidas, mas que soam familiares aos ouvidos. “As músicas são selecionadas e mixadas ao vivo, de maneira espontânea, o que faz da experiência algo desafiador e empolgante”, afirma ele.

Com o tempo, a audiência foi crescendo e o coletivo passou a ser considerado o epicentro da nova cena musical eletrônica de São Paulo, que culminou na Metanol na Rua, a concorrida festa gratuita promovida por eles em diferentes bairros da cidade. “Na rua podemos experimentar mais. Dentro de um club, inevitavelmente trabalha-se com um direcionamento musical específico, seja pelo tipo de lugar ou pelo tipo de público.” Justamente por esse sucesso, os clubs têm sido receptivos em relação à produção autoral do grupo, pois enxergam algum potencial financeiro nisto. “Mas as coisas mais interessantes têm acontecido fora das casas noturnas. Acredito que estamos caminhando para uma independência musical de grande valor, onde a cena da música eletrônica não precise mais de clubs para se manter em atividade”, diz Akin.

Com origens musicais distintas, os sete amigos não sabem muito bem aonde tudo isso vai dar, mas têm a certeza de que estão fazendo alguma coisa acontecer. “A ideia para os próximos meses é circular um pouco mais fora de São Paulo, atuando com mais frequência em outros estados. Estamos em vias de execução de uma turnê pelo Brasil, que deve ter início logo após o meio do ano. No nosso planejamento temos também uma série de eventos na rua para o período da Copa, além de uma curadoria mais ampla de novas atividades relacionadas à música contemporânea”, conta Akin.

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 DE VENTO EM POPA

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Cantigas de roda é o primeiro disco de inéditas do Raimundos em 12 anos. Sem gravadora, a banda – Canisso (baixo), Digão (vocal e guitarra), Marquim (guitarra) e Caio (bateria) – produziu o álbum pelo sistema de crowdfunding. Pediram R$ 55 mil aos fãs e, em um mês, arrecadaram pouco mais de R$ 123 mil. Com produção de Billy Graziadei (vocalista da banda americana Biohazard), o disco tem participações do rapper Cypriano, do próprio Billy Graziadei, do cantor e sanfoneiro pernambucano Zenilton e do rapper Sen Dog, do Cypress Hill. Leia abaixo a entrevista que Canisso concedeu à coluna.

Como está a nova fase no grupo?

Canisso De vento em popa. Estamos tocando nos principais palcos e festivais em todo o País. Ótima fase mesmo.

Vocês acreditam que, a partir de agora, esse tipo de financiamento será cada vez mais tendência no mercado fonográfico?

O crowdfunding funciona bem para quem já tem uma base de fãs, então é uma ótima saída para bandas com história e estrutura independente. Pode, sim, virar tendência.

Vocês tiveram medo de não conseguir arrecadar a meta estipulada?

Fomos superespartanos, colocamos uma meta pequena, fácil de bater, apenas para bancar a logística, passagens, estadia etc. Estávamos prontos para cobrir as contrapartidas com os cachês da turnê.

Como tem sido a repercussão do disco? São os novos fãs ou os antigos que mais têm dado um feedback positivo?

O feedback foi o melhor possível, não só da ‘mulekada’ que já vinha seguindo a banda como de antigos fãs que já haviam abandonado o barco. Muitos mandaram mensagens se dizendo surpresos com a renovação e vitalidade que essa formação agregou ao som do Raimundos.

 

MUSA DO MÊS

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Uma das grandes musas do indie moderno, a gata americana Brody Dalle, eterna líder do The Distillers e Spinnerette, vai cair na estrada em breve para trabalhar seu primeiro álbum solo. Diploid love tem lançamento marcado para 28 de abril e já chega com um cartão de visitas para lá de tentador: a música The Foetus/Oh the Joy tem participação de Shirley Manson, vocalista do Garbage. Já Meet the foetus é uma espécie de declaração de amor dela para seus filhos, Camille Harley e Orrin Ryder, frutos de sua relação com o grande Josh Homme, vocalista do Queens of the Stone Age.

 

NÃO DEIXE DE OUVIR

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O Zulumbi é um projeto paralelo de Rodrigo Brandão (MC da Mamelo Sound System), do DJ PG (da Elo da Corrente) e de Lúcio Maia, da Nação Zumbi. Rap, funk, pop e uma dose generosa de psicodelia são os ingredientes no caldeirão da banda, cujo nome é a junção de Nação Zulu, de Afrika Bambaataa, com Nação Zumbi. O disco de estreia do Zulumbi, cujo título é o nome do grupo, tem dez faixas e foi coproduzido por Daniel Bozio. Entre os convidados estão a rapper Yarah Bravo, os músicos Thiago França, Marcelo Cabral, Juçara Marçal, Anelis Assumpção e os jazzistas americanos Rob Mazurek e Jason Adasiewicz.