ELE É O GAJO

Cristiano Ronaldo é o melhor jogador do mundo, coleciona carros, mansões, recordes, e ainda namora a modelo Irina Shayk. Só faltou ganhar a copa

 

 

STATUS 37 - PERFIL

 

O português Cristiano Ronaldo, 29 anos, e o argentino Lionel Messi, 26 anos, vêm travando nos últimos anos uma batalha quase pessoal dentro dos gramados. Um pelo Real Madrid e o outro pelo Barcelona, eles brigam constantemente pelo título de  melhor do mundo. No ano passado, CR7 ficou com a cobiçada Bola de Ouro pela segunda vez – Messi já havia conquistado em quatro ocasiões consecutivas, derrotando o próprio Cristiano Ronaldo. Nas discussões mais acaloradas, então, não há meio-termo: existem os que torcem por Ronaldo e os que não enxergam ninguém acima de Messi. Mas, quando o assunto é a vida pessoal, o português ganha de goleada. Ao contrário de Messi, Cristiano Ronaldo sabe – e como – aproveitar a vida. Com rendimentos anuais superiores a 50 milhões de euros, entre salários e contratos publicitários, ele é dono de uma frota de carros esportivos, coleciona mansões na Espanha e em Portugal e namora uma das mulheres mais belas do mundo, a estonteante Irina Shayk, capa desta edição de Status. “Você deve poder aproveitar a sua vida, aproveitar as boas coisas da vida. Não há nada de errado em fazer isso, contanto que saiba balancear as coisas”, diz o craque quando indagado sobre o seu estilo de vida regado a carros de luxo e joias.

Vindo de uma família pobre de Funchal, cidade na Ilha da Madeira, Cristiano Ronaldo teve uma carreira meteórica. Começou em 1993 no pequeno Andorinha de Santo António, onde seu pai trabalhava. Ali, apelidado de abelhinha devido a sua agilidade em campo, logo chamou a atenção. Foi um passo até ser contratado por míseras 20 bolas e por um conjunto de uniformes pelo Nacional, onde permaneceu por duas temporadas até ser notado por um olheiro do Sporting. O time de Lisboa pagou 25 mil euros em 1997 e, em 2003, revendeu o craque ao Manchester United por 15 milhões de euros. Foi ali, na Inglaterra, que CR7 surgiu, de fato, para o mundo da bola. Ganhou tudo o que podia, quebrou recordes e foi eleito o melhor do mundo. Quando, em 2009, o Real Madrid botou 100 milhões de euros na mesa, os dirigentes do Manchester não pensaram duas vezes. Venderam-no em uma das transações mais caras da história. A julgar pelos seus feitos no time espanhol, o negócio saiu barato. Ele conquistou campeonato nacional, a Champions League e tornou-se o maior goleador em uma única edição do torneio europeu com 17 tentos. É, literalmente, “o cara” e desembarca no Brasil com a missão de liderar Portugal na Copa.

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Cristiano Ronaldo mostra a bola de ouro aos torcedores do Real Madrid

A seleção portuguesa está longe de ser a favorita, mas só por tê-lo em campo já chama a atenção. O craque sabe disso e faz questão de cultivar o seu lado vaidoso. Ele é capaz de passar horas na academia lapidando o corpo atlético; faz o cabelo, as costeletas e as sobrancelhas com precisão cirúrgica e costuma se olhar nos telões dos estádios sempre que faz gol. Ele também é amante de joias e relógios, e é garoto-propaganda da grife italiana Giorgio Armani. “Eu não passo 30 minutos na frente do espelho. Garanto que fico no máximo um minuto, juro”, diz ele. Sua obsessão pela própria imagem ficou mais evidente em dezembro do ano passado, quando inaugurou um museu dedicado à sua carreira em Funchal, sua cidade natal. Mas, apesar de toda a exposição, ele ainda mantém um pouco de sua intimidade preservada. Em 2010, logo após a Copa da África, ele anunciou que seria pai de um menino, Cristiano Ronaldo Junior ou simplesmente Cristianinho, e não revelou o nome da mãe, que permanece desconhecida até hoje. Portugal chegará longe na Copa do Mundo? Isso ainda é uma incógnita, mas, se o país sair logo do torneio, Cristiano Ronaldo, somente ele, tem um consolo: Irina.

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No alto, uma das mansões do craque em madri; abaixo, o museu aberto em dezembro de 2013 na Ilha da Madeira; e, ao lado, CR7 com seu filho, Cristianinho, e a musa Irina Shayk

Você pode passar na frente de um espelho sem parar para se olhar?

– (Risos) Ah! Isso não é verdade, é uma piada! Eu não me lembro de quem disse isso sobre mim, mas não é verdade. Eu não passo 30 minutos na frente do espelho. Garanto que fico no máximo um minuto, juro!

Como é bater uma Ferrari (em 2009, ele destruiu uma Ferrari 599 GTB em um túnel na cidade de Manchester)?

– Para ser honesto, eu não me preocupei com o carro, eu me preocupei com as minhas pernas! Na verdade, eu saí do carro sorrindo. Eu pensei, “não faz mal, eu estou bem”. O carro não é importante, sua vida é o mais importante. Bater um carro pode acontecer na vida, você pode bater um Opel, você pode bater uma Ferrari – não é legal e não quero que aconteça de novo.

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Qual foi a sensação quando você viu pela primeira vez que você tinha um milhão na sua conta bancária?

– Eu não vou dizer que eu não ligo para o dinheiro. Dinheiro é importante, é claro. Mas não é o mais importante, não é a minha prioridade. Talvez fosse quando eu era mais jovem, no Sporting de Lisboa – eles não me pagavam bem e eu queria poder comprar isso ou aquilo. Mas, quando você chega a um determinado ponto da vida, o dinheiro não te dá mais motivação. Não é o dinheiro que me dá motivação para jogar ou treinar todos os dias e tentar dar o máximo o tempo todo.

Bom, qual foi a coisa mais extravagante que você já comprou?

– Uau! Essa é difícil – é difícil dizer, estou tentando me lembrar.

Por quê? Foram tantas assim?

(Cara de sério) – Sim, sim – mas eu posso fazer isso. Comprar um carro bacana, um baita relógio ou uma joia. O mais extravagante de todos? Provavelmente o carro! Mas por que não? Você deve poder aproveitar a sua vida, as boas coisas da vida. Não há nada de errado em fazer isso, contanto que você saiba balancear as coisas.

Qual é a melhor coisa em ser o Cristiano Ronaldo?

– Poder fazer o que eu gosto e estar feliz com a minha vida. Eu
tenho uma boa vida e uma boa família.

Qual é a pior coisa em ser o Cristiano Ronaldo?

– Ser tão famoso. Ser famoso desse jeito não é bom; é difícil – tem tanta coisa ruim nisso. Eu não tenho uma vida normal. Sair na rua, fazer compras, fazer qualquer coisa que eu queira – não é possível. Em qualquer lugar do mundo que eu vá, as pessoas me reconhecem. Então a fama traz coisas boas e coisas ruins, e você tem de se adaptar e achar um equilíbrio. Eu sei como lidar e equacionar isso. Continua difícil, mas tudo bem.

Foi um choque para você ser popular em todo o mundo?

– No início da minha carreira, não pensava que algo assim me aconteceria. Agora que aconteceu, apenas tenho de lidar com isso.

Que conselho você daria a um jogador iniciante que queira ser o próximo Cristiano Ronaldo?

– Se você trabalhar duro, você pode ter o que quiser, mas deve manter os pés no chão e a cabeça no lugar. Ser profissional, ser bom no que faz.

 

Por Rob Beasley/The Sun/The Interview People

 

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