IRINA SHAYK

Não existe russa como a modelo Irina Shayk, e aqui estamos nós e Cristiano Ronaldo, só nós, com o privilégio de testemunhar essa deliciosa verdade

 

Fotos David Roemer (Trunk Archive)

 

STATUS 37 - CAPA

 

Irina Shayk, nascida Shaykhislamova, fez parte daquela revoada de beldades russas que, de uns dez anos para cá, não mais que isso, exibindo despudoradamente o estardalhaço apimentado de sua beleza, atropelaram as passarelas, invadiram os editoriais de moda, conquistaram as capas de revista e chacoalharam a fantasia mais devassa da rapaziada.

Do ponto de vista da imagem lasciva, vocês sabem, as russas são as brasileiras da Europa: lindas, diabolicamente sensuais, despidas de qualquer preconceito, capazes de se incendiar de libido ao primeiro toque, ao mais leve sussurro ao pé do ouvido. Não é exagero: desde que esqueceu a bomba atômica, ao final da Guerra Fria, a Rússia de Putin aderiu à Guerra Quente e se especializou em detonar pelo mundo afora torpedos eróticos capazes de devastações ainda maiores.

Vamos lá, vocês devem se lembrar: Natalia Vodianova, Sasha Pivovarova, Nathalia Poly, Valentina Zelyaeva, Vera Brezhneva, Ravshana Kurkova… (ei, o que você está fazendo aí que ainda não foi correndo para o Google Images?). Só que, muito além do baticundum das passarelas, as russas ainda faziam estrago em outros territórios. Estão aí as tenistas Anna Kournikova e Maria Sharapova que não nos deixam mentir. A Kournikova parece ter um demônio libertino dentro dela, enquanto a Sharapova, aquela lindeza toda, ainda sugere um distanciamento meio glacial, meio siberiano, ou então é porque sucumbiu àquele travo puritano de sua nova cidadania americana. Um dia, quem sabe, livre enfim de todas as amarras, a Sharapova há de ilustrar as páginas centrais desta nossa Status.

De todo modo, não existe russa como Irina Shayk, e aqui estamos nós, vocês, eu e o Cristiano Ronaldo, só nós, com o privilégio de testemunhar essa deliciosa verdade. Bem, a intimidade dela com o esporte vem desde 2007, quando ela ingressou naquele dream team da edição anual de praia da Sports Illustrated. Quando ganhou a capa da edição de 2011, já andava de namoro com o CR7. Por mais que o craque do Real Madrid tente pegar carona em suas fotos, como na recente Vogue España, Irina tem luz própria e carreira de sucesso.

Ser, por exemplo, exclusiva da provocativa grife de lingerie Intimissi só aconteceu porque ela não tem nada da loirice gelada de certas tops germânicas, e a gente facilmente adivinharia, em sua pele de azeitona, num contraste chocante com os olhos verdes de cristal, uma magnética italiana da Sicília, daquelas capazes de promover a paz – ou, ao contrário, acirrar os ânimos – entre coléricas facções mafiosas. E essa boca, gente? Isso não é uma boca, é um atentado ao pudor, um escândalo público. Aos 28 anos, Irina começa a abrir uma nova avenida para desfilar sua beleza de deusa grega. No cinema e, bem a propósito, contracenando com Dwayne The Rock Johnson, lenda viva do vale-tudo, numa alegoria mitológica de berros, monstros e músculos com o título de Hércules. Ela faz Mégara, a primeira mulher do herói.

Craques de futebol têm hoje o status de ídolos pop, assim como as tops das passarelas, identificando-se uns e outras com as glórias e as agruras de uma carreira meteórica, que exige tudo do corpo e que pode ter data certa para acabar. Estrela atrai estrela, é a lei da astronomia das celebrities. De tal forma que as divas da moda estão agora dispensadas de buscar o futuro estável junto a xeques de turbante e milionários colecionadores de arte – e de beldades. Irina é o jeito Status de ver a Copa. Irina, integralmente bela, esfuziantemente jovem, saborosamente nua. E sem o estorvo do papagaio de pirata.

 

Nirlando Beirão