ISABELLE HUPPET

A faceta sonhadora da atriz mais cerebral da França

 

Por Elaine Guerini, de Los Angeles

 

STATUS 37 - APPROACH, PROJEÇÃO

 

Longe dos sets, Isabelle Huppert não corresponde à imagem gélida e cerebral que construiu ao longo de 40 anos de carreira nas telas. “Se Alfred Hitchcock tivesse me conhecido, eu poderia ter interpretado uma de suas loiras frias, pintando os cabelos, é claro”, diz à Status a francesa, 61 anos, abrindo um sorriso. Foi justamente para quebrar essa galeria de mulheres distantes, sombrias e de emoções contidas que Huppert aceitou encarnar Brigitte, a esposa cansada da rotina que busca um affair na comédia Um amor em Paris. “Por que uma dona de casa não teria direito a um capítulo mais romanesco em sua vida?’’, indaga ela.

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– Por ser romântica e sonhadora, Brigitte segue na contramão da maioria das ofertas que recebe, certo?

– Sim. Mas só o fato de Brigitte ser diferente não bastaria. Curiosamente, a maneira leve e suave como Marc Fitoussi (o diretor) me vê aqui é tão correta quanto a percepção mais obscura que outros diretores têm de mim. Apesar de os convites para comédia passarem longe, é algo que eu posso perfeitamente fazer. Até porque eu tenho muito senso de humor sobre mim mesma.

– O fato de sua personagem morar em uma fazenda também pesou? É difícil imaginá-la ajudando no parto de uma vaca,
como Brigitte faz
.

– O lado rural não me interessou tanto, apesar de achar forte a cena do parto da vaca, por ancorar a personagem imediatamente no seu contexto agrícola. O que mais me agradou no roteiro foi a escapada que a protagonista dá, deixando a monotonia do casamento para trás em busca de um sentido mais poético e metafórico em sua vida. E ela faz isso sem qualquer sentimento de culpa.

– Sua simples presença em cena já costuma dar credibilidade ao filme. Sente que muitos cineastas se aproveitam disso ao dirigi-la?

– Espero que sim. Quando você já tem uma bagagem no cinema, isso talvez seja inevitável, não? Por mais que eu goste do seu comentário, o fato é que isso está fora do meu controle.

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O MAGO DO MOTION – CAPTURE 

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Se Planeta dos Macacos: a origem já impressionou pelo realismo nas expressões dos símios em 2011, a sequência talvez consiga uma façanha: garantir a primeira indicação ao Oscar de uma performance em motion-capture (captura e transposição de movimentos de atores ao universo digital). Ninguém merece mais que Andy Serkis, o inglês que se especializou na técnica desde a trilogia O Senhor dos Anéis. Na continuação Planeta dos Macacos: o confronto, no qual humanos e animais lutam para decidir quem dominará o mundo, a tecnologia está ainda mais sofisticada, com atuações mais convincentes. “De tão apurada e transparente, a técnica simplesmente transfere a interpretação de um ator do set de filmagem para o modelo digital. Nesses últimos 14 anos, nunca estivemos tão próximos da atuação pura”, disse à Status Serkis, que retoma o papel do macaco Caesar no filme de Matt Reeves. Como houve uma evolução no comportamento dos macacos nos últimos dez anos (intervalo de tempo entre a trama anterior e a atual, com lançamento em 24 de julho), os símios estão mais inteligentes.

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