JULIANA SILVEIRA

A atriz de Vitória, nova novela da Record, é um mulherão, com direito a um acervo de curvas, sinuosidades, meandros e surpresas. Desvende-a nas próximas páginas

 

Edição Ariani Carneiro Fotos Yuri Sardenberg

 

STATUS 39 - CAPA

Regata My Philosophy | meias 7/8 Pselda | anel Metally | colar Blue Man

Pois é, a doce Maria Flor, de Floribella, heroína ingênua daquelas que segredam seus amores sem malícia em agendas de coraçõezinhos trespassados por setas, virou mulherão, este mulherão aí, com direito a um acervo de curvas, sinuosidades, meandros e surpresas digno do feitiço sensual da arquitetura de Oscar Niemeyer – corpão que ela assume alegremente, com merecido orgulho.

Se tem alguém disposta a enfrentar desafios, é ela, que decidiu sair de casa para trabalhar aos 13 anos e tem cuidado da própria vida desde então. Agora, em Vitória, novela do horário nobre da Record, desafio é que não há de faltar. Juliana Silveira faz a líder de uma gangue neonazista, “com uma pegada fortemente sadomasoquista”, diz ela. Vilã radical, de tempo integral, ou quase, nada mais distante da protagonista cor-de-rosa de Malhação cujo extremo de perversão consistia em namorar o personagem de Henri Castelli.

Em Vitória, Juliana rompe de vez com o estereótipo contra o qual ela teve obstinadamente de se insurgir. Afinal, começou no Clube da Criança, da Angélica, menina de tudo e meio por acaso. Adorava programa de auditório e apareceu por lá um dia, na falecida TV Manchete. No meio daquela criançada animadinha, ela se destacou, foi convidada a fazer um teste, passou e virou “angeliquete”. Por acaso, ela repete. “Sou uma aproveitadora de oportunidades”, define-se. Não planeja muito; decide na hora. “Por muito tempo, vivi entre dois mundos: a tevê e a escola. Cheguei a entrar para a faculdade. Levei uns dez anos para entender que sou mesmo é atriz.”

Se o acaso prevalece, nem por isso Juliana renuncia a suas ambições profissionais, a suas fantasias pessoais. “Penso, sim, no futuro e vejo milhões de possibilidades diferentes, por mais que tenha gratidão e apreço pelo que faço hoje”, diz. Não admirem se ela um dia vier a estrelar um musical ou passar para o outro lado da câmera. Juliana, ex-doçurinha, é dona de uma escandalosa maturidade. Está longe de acreditar, assim como aquelas teenagers que ela já encarnou na tevê, em ilusões demasiadamente sonhadoras. Por exemplo, na obstinação em ser feliz. Juliana prefere explorar a sutileza semântica: estar feliz. Ela está e é o que lhe basta.

Status Depois de todos esses anos algodão-doce, uma vilã e, ainda por cima, nazista. Como é que fica?

– Juliana Silveira Parece fora de contexto, não é? No Brasil? O projeto de criar uma raça pura… Uma psicóloga veio conversar com a gente e nos fez entender que aquela simbologia das suásticas esconde, isso sim, uma sociopatia, o medo diante do que é diferente. Minha personagem seduz as pessoas, mas não tem sentimento algum por elas. Ela manda nos homens do grupo – inclusive no próprio marido. Se é dominadora no grupo, na cama ela gosta de ser dominada. Em algum momento, ela comporta-se como mulher.

Para uma mulher, quais são as regras desse jogo de dominar e ser dominada?

– Nem dominar, nem ser dominada: caminhar junto. Numa relação a dois, o que importa é que a mulher seja independente, emocionalmente e também, se for possível, financeiramente. A dependência tira o tesão. Aquela coisa: “ela está me sugando”. Casamento, a gente sabe, é muito difícil. Eu tive dois, tinha decidido: “Quero namorar, mas não quero dividir a vida com ninguém”. O terceiro casamento aconteceu e estou feliz.

Qual é, então, o homem capaz de seduzir uma mulher independente, ativa, bonita e com tanta visibilidade como você?

– Não gosto do tipo bruto. Prefiro alguém com sensibilidade, educado, calmo e romântico. Intelectual quase nerd é o meu preferido. Alguém com quem eu possa descobrir um mundo de conhecimentos e experiências que eu não conheço.

Você já foi ou é muito assediada?

– Até os 18 anos, eu ia trabalhar com minha mãe ao lado. Existe uma imagem meio oba-oba da tevê, mas no fundo é igual a outras profissões. Aquela coisa: onde se ganha o pão não se come a carne. Dá para perceber a cantada e até achar graça, desde que sem intimidação, sem violência. Só uma vez aconteceu de eu fechar a cara. Fui ao chefe, disse que estava sendo constrangida, que assim não dava – e tudo se resolveu. A atriz que pensa que, ao dar em cima do diretor, vai se dar bem, geralmente se dá mal. Eu não consigo fazer isso. Não sei fazer. Não quero ser moralista: se soubesse, talvez fizesse. Não sei e não faço.

O poder na televisão ainda é basicamente masculino, não é?

– Totalmente. Tudo é masculino. A boca de cena, os bastidores, até o estilista. Eu curto ficar cercada de homens. Não tenho barreiras para isso. Eu tinha uma vergonha juvenil do meu corpo, não tenho mais, descobri que, graças a Deus, tenho bunda, tenho quadril, não sou mais uma bonequinha magricela. Não tenho vergonha de ficar nua em cena, de fazer o que for preciso para sair uma boa cena. Saio dali tranquila e, se for o caso, vou tomar uma cerveja com a rapaziada.

 

Nirlando Beirão

Agradecimento Casa 10 Joá www.casa10rio.com.br (locação)