RELAXAMENTO E FORÇA

Prática que mistura ioga e acrobacia, a Acroyoga promete aliviar tensões musculares e superar medos

 

Por Piti Vieira

 

STATUS 39 - CORPO E MENTE

 

Há dez anos, os norte-americanos Jason Nemer, 39 anos, e Carolyn Cohen, 34, se conheceram e começaram a explorar todas as diferentes técnicas corporais e de movimento que tinham adquirido ao longo do tempo. Jason vem de uma família de acrobatas, enquanto Jenny foi professora de ioga por muitos anos. De sua exploração, nasceu a AcroYoga. modalidade patenteada por eles, que fundiram acrobacia de solo com ioga. “A técnica surgiu por brincadeira, para mostrar os ensinamentos da ioga como meio de acalmar a mente, a compaixão com o próximo e a ousadia da acrobacia”, diz Jason Nemer à Status.

Com as posições praticadas em grupo, a AcroYoga chegou ao Brasil recentemente e tem atraído cada vez mais adeptos. A atividade inclui, ainda, a chamada thai yoga massagem, técnica baseada na massagem tailandesa, importante para soltar os músculos e relaxar depois do esforço físico e do uso da força. A atividade é dividida em dois tipos de posições: o primeiro, chamado de Solar, corresponde aos movimentos acrobáticos, que usam a energia e a explosão do corpo. O segundo diz respeito às manobras terapêuticas, chamadas Lunares, que são mais calmas e relaxantes. Juntas, elas trazem diversos benefícios para o corpo, como maior flexibilidade, consciência corporal e enrijecimento muscular. “Muitos músculos são trabalhados durante a prática, devido aos exercícios de força e alongamento, principalmente dos quadríceps (músculos da coxa), do peitoral e dos músculos do abdômen, dos glúteos e da região dorsal”, diz Elaine Lilli, pioneira da técnica no Brasil e professora da modalidade do instituto União, em São Paulo. “Por isso, apenas uma aula queima entre 300 a 400 calorias, além de ajudar a definir a silhueta e reduzir medidas”.

O maior diferencial da acroyoga está, principalmente, na interação entre os participantes, já que os asanas (as posições da ioga) são feitos em dupla. “É muito importante a relação entre as pessoas. É preciso aprender a ouvir, manter o entrosamento”, diz Louis Gabriel Watel, certificado pela escola americana AcroYoga.org e professor da modalidade no Rio deJaneiro. Além disso, há o trabalho de confiança, já que as posições deixam os praticantes completamente fora do chão, apoiados apenas pelas pernas dos companheiros. “Para quem fica na base, a força nas pernas é essencial, pois os movimentos são todos executados no ar e, para quem está em cima, o equilíbrio é o mais importante”, diz ele. A confiança em você e no seu parceiro é um fator muito trabalhado nesse tipo de prática, pois nenhum movimento pode ser feito sem o outro. Assim, alguns dos benefícios alcançados são a autoconfiança e o autocontrole, uma vez que o medo e a insegurança dificultam a execução dos asanas.

Quando praticada, a pessoa que permanece deitada de costas no chão é chamada de “base”, e quem apoia as pernas na “base” em várias posições de “voador”. A ideia é usar a força do corpo e, então, relaxar. Por isso, costuma-se começar com a parte acrobática, passa-se para os voos terapêuticos e, finalmente, para a thai massagem, que trabalha tensões, bloqueios e dores musculares por meio de movimentos de extensões e torções na coluna. “As pessoas encontram alívio através dessa prática por causa do trabalho terapêutico que se faz no ar”, comenta Watel, que há quatro anos viaja o mundo para aprender mais sobre o assunto e ministrar workshops.

Não há pré-requisito para quem deseja começar a prática, mas pessoas com consciência corporal desenvolvida por meio de dança, alongamento e ioga podem ter mais facilidade. “Mas isso não é primordial”, diz Watel, pois as aulas são estruturadas de forma a garantir a evolução de acordo com os limites de cada um. “Uma regra que temos é que as pessoas trabalhem até onde se sintam confortáveis. Como há o aspecto de vencer os medos, não adianta forçar, cada um tem o seu momento.”

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