ANIMAÇÃO CONTROLADA

É o fim das festas caídas. A tecnologia usada nas pulseiras de corrida foi adaptada para fornecer dados para que DJs possam controlar a audiência, com base no quanto as pessoas estão suando e se movimentando

 

Por Piti Vieira

 

STATUS 41 - APPROACH, PLAY

A música está alta, as bebidas estão geladas, as luzes estão fazendo sua coreografia e a multidão parece estar participando de um seminário sobre direito tributário. Ninguém dança e nas redes sociais já começam a aparecer fotos acompanhadas de comentários sobre o possível fracasso da festa. Se depender da Lightwave, que utiliza tecnologia antes restrita apenas a aplicativos de fitness e saúde, esse cenário nunca mais se repetirá. A empresa americana, comandada pela ex-DJ Rana June, uma das primeiras a usar iPad em suas apresentações, adaptou pulseiras digitais usadas para coletar dados durante uma corrida, por exemplo, para fornecer informações em tempo real sobre temperatura corporal, batimentos cardíacos, movimentação e até idade. Esses dados permitem aos artistas avaliar o interesse do público de uma forma mais científica e ajudam a criar experiências mais direcionadas, guiando DJs, VJs e até bartenders. Afinal, em festa, álcool é combustível. “Nosso objetivo é fornecer insights mais profundos e significativos sobre o que está acontecendo e não apenas a informação de que acabaram de entrar mil pessoas”, diz Rana June à Status.

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As pulseiras utilizam tecnologia antes restrita a aplicativos de fitness.

Essa ferramenta já foi posta à prova no festival SXSW, realizado no primeiro semestre deste ano, em Austin, no Texas (EUA). Durante sua apresentação no evento, o DJ canadense A-Trak pôde monitorar a reação do público. Ele conseguia saber quantas pessoas estavam dançando, o quão alto elas respondiam aos seus acenos da cabine e qual era a média de temperatura do corpo de quem estava lá e do ambiente também. Este dado pode parecer bizarro, mas mostra se as pessoas estão dançando ou se movimentando por causa do calor. Quando foi entregue uma bebida gratuita a todos que estavam na pista, por exemplo, a temperatura corporal média caiu. “É uma métrica muito importante, porque quando as pessoas ficam quentes, ficam também desconfortáveis. Se tivermos esse conhecimento em tempo real e mudarmos as condições do ambiente, podemos melhorar a experiência do participante”, diz June.

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No detalhe, a ex-DJ Rana June, dona da invenção

Os dados são transmitidos para o sistema da Lightwave, que monitora tudo via iPads, criando gráficos visuais que desencadeiam uma série de situações, como o disparo de confetes e  máquinas de fumaça, para orquestrar todos os elementos dentro e fora da pista de dança.  No caso do festival americano, a equipe usou uma informação para ajustar a iluminação. “Quando observamos as leituras, os dados não eram o que desejávamos. Baixamos as luzes e, de repente, as pessoas começaram a dançar mais”, diz June. Em uma festa com algumas dezenas de convidados, este é um interessante estudo. Em uma multidão de milhares de pessoas, esta é uma maneira revolucionária par conduzir qualquer evento ao sucesso.

 

SEGUNDA CASA

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Com 30 anos recém-completados, as irmãs gêmeas Olivia e Miriam são atualmente as mulheres em maior evidência na música eletrônica mundial. Elas, que formam a dupla Nervo, acabam de ganhar uma residência no club brasileiro Green Valley, em Camboriú, litoral norte catarinense. As australianas só tinham até então outras duas residências no mundo: em Las Vegas e Ibiza. A Status conversou com Liv e Mim, coautoras de um dos maiores sucessos da carreira de David Guetta, When lov takes over, que ganhou remixes de grandes nomes como Katy Perry, Beyoncé e Cyndi Lauper.

Como é ser uma das poucas mulheres que excursionam pelo mundo no mainstream da música eletrônica?

– É fantástico. Nós estamos acostumadas a isso e, como temos uma à outra, sempre nos divertimos. E os meninos são sempre muito legais com a gente. Eles ficam felizes em ver algumas meninas em turnê.

Vocês já tocaram algumas vezes no Brasil. Quais são as expectativas sobre ser residente no Green Valley?

– É uma responsabilidade. Nós adoramos os brasileiros. Eles são, definitivamente, uma das nossas plateias favoritas.

O que vocês gostam de fazer no seu tempo livre?

– Descobrir novos lugares, experimentar novos alimentos, assistir a vídeos engraçados no YouTube e séries de tevê como Game of thrones. Também gostamos de cozinhar para os nossos amigos e amamos sair com eles para ter uma noite louca em algum club.

 

ELES ESTÃO DE VOLTA

The Endless River, novo disco de estúdio do Pink Floyd, o primeiro em 20 anos, teve capa, lista de faixas, data de lançamento e trailer divulgados pela banda recentemente. O álbum é um tributo ao tecladista Richard Wright, que faleceu em 2008. David Gilmour (vocalista e guitarrista) e Nick Mason (baterista) passaram uma parte de 2013 revisitando e aprimorando o material que já tinham, pois essa seria a última vez que os três membros remanescentes do Pink Floyd poderiam ser ouvidos juntos. Com exceção da faixa Louder than words, com letras de Polly Samson (escritora e esposa de Gilmour), o álbum é composto basicamente de músicas instrumentais. The endless river sai no dia 10 de novembro e já se encontra em pré-venda nos formatos digital, CD simples, vinil duplo e box de luxo recheado de extras.

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MUSA DO MÊS

Aos 39 anos, a apresentadora Sabrina Parlatore,que se projetou como VJ na MTV nos anos 90 e contou com passagens pela Bandeirantes e TV Cultura, até chegar ao canal pago Glitz, resolveu dar novos rumos a sua carreira. Ela está investindo em música, uma paixão antiga. Com um repertório que vai do samba ao jazz, Sabrina apresentou no mês passado um pocket show no bar do Terraço Itália, em São Paulo. No set list, sucessos como Just cares for me, de Nina Simone e The way you look tonight, de Rod Stewart. A próxima apresentação acontece no Tom Jazz, também na capital paulista, no dia 6 de novembro.

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