A POPSTAR QUE NÃO EXISTE…

… Pelo menos em carne e osso. Mas, no mundo virtual e em casas de show no Japão, Hatsune Miku é uma febre com mais de três mil canções em seu portfólio

 

STATUS 41 - APPROACH,LADO B

Uma plateia histérica, formada por mais de 20 mil adolescentes, aguarda ansiosa a entrada do ídolo. Até que um solo de guitarra, seguido da bateria e de sintetizadores, sinaliza o início do espetáculo. É o suficiente para o público, reunido em uma casa de shows de Tóquio, vir abaixo. A cena poderia ser mais um caso de idolatria juvenil, dessas tão comuns em torno de figuras como Justin Bieber e Demi Lovato, não fosse por uma curiosidade: Hatsune Miku, a moça no palco, não existe.Ou, pelo menos, não existe em carne e osso. Uma das maiores popstars japonesas da atualidade, com diversos hits nas paradas de sucesso, não passa de um ícone virtual, que se apresenta em shows para milhares de pessoas por meio de um holograma. Os músicos da banda (estes, sim, de carne e osso) tocam para uma cantora virtual criada quase sem querer.

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Milhares de fãs costumam pagar para vê-la cantando em casas de shows. Detalhe: aplaudem um holograma

Em 2007, o presidente da Crayton, empresa japonesa especializada em sintetizadores de voz e instrumentos musicais, decidiu criar uma mascote para alavancar a venda de seus produtos. O que o empresário não imaginou era que a menina fictícia de 16 anos e longos cabelos azuis se tornaria uma febre, inclusive mais famosa que a própria Crayton. Além dos shows, hoje a imagem de Miku está em videogames, mangás, brinquedos e no que mais a fértil imaginação japonesa permitir (até mesmo em animações eróticas).Como as canções de Miku podem ser criadas pelos próprios fãs, usando um software específico da Crayton, a internet está abarrotada delas.Apenas na Amazon japonesa é possível encontrar mais de três mil músicas cantadas por ela. Direitos autorais? Nada. A popstar virtual é tão moderna que sua “vida é criada em um sistema “open source”, ou seja, com a livre participação dos fãs. A Crayton não revela quanto as vendas cresceram, mas, como a empresa costuma ficar sem estoque a cada nova versão do software, é fácil imaginar que a aposta na menina de cabelo azul deu mesmo certo.