ILDI SILVA

Foi preciso da ajuda de um geneticista para desvendar de onde vem a beleza singular da atriz. E, mesmo assim, ela continua intrigando os homens com esses olhos felinos, a boca carnuda e o corpo escultural

 

Foto André Nicolau Edição Ariani Carneiro Styling Fabrício Miranda (capa mgt) Beleza Duda Molinos (Caíco de Queiroz)

 

STATUS 41 - CAPA

Brinco Animale | anel Pati Bijoux

 

Dia desses, ela caminhava pelas ruas de Manhattan quando um gringo, bem do esperto, chegou de mansinho. “Nossa, mas que olho lindo!”. Passou o tempo e voltou a acontecer. Mais um passeio e mais um americano, encantado com a deusa de ébano que se materializava diante de seus olhos, disparou sem rodeios: “Como você é bonita!”. Uma beleza que deixa intrigado quem a vê na televisão, nas revistas e nas ruas. “Que mistura é essa!”, exclamou o nova-iorquino que se deparou com ela em uma calçada do Soho. Para a atriz baiana Ildi Silva, 32 anos, escutar esse tipo de galanteio é como acordar todos os dias. Acontece com tanta frequência – e há tanto tempo – que é natural. O que não é normal, definitivamente, é a sua beleza. Foge de todos os padrões, muda todos os conceitos e, acredite, gera conflitos. Nos tempos de escola, quando era chamada pelos colegas de “a menina dos olhos de gato”, ela teve de se virar para não apanhar de outras garotas que não iam com a sua cara. Sim, não iam com a sua cara irritantemente linda. “Queriam bater em mim porque eu era bonita”, relembra Ildi. Mas a beleza, claro, abriu portas.

Ela foi descoberta por um fotógrafo em Salvador, que a clicou para o concurso da Elite Models. Ildi não ganhou, media apenas 1,70 m de altura, muito baixinha para os padrões das passarelas, mas conquistou seu espaço. Desembarcou em São Paulo e começou a fazer comerciais e editoriais fotográficos. Em 2003, quando acompanhava o maquiador Duda Molinos no programa de Ana Maria Braga para que ele mostrasse ao vivo como maquiar e fazer um babyliss, Ildi brilhou aos olhos de um diretor de elenco da Globo. “Descubram quem é essa menina!”, ordenou o executivo. De coadjuvante em um programa matinal, Ildi virou protagonista. Fez o teste na TV Globo, passou e, de cara, veio a novela Agora é que são elas. Não parou mais e transitou entre o SBT, a Record e a própria Globo. Agora, Ildi dá os primeiros passos rumo à carreira internacional com muito mais desenvoltura do que qualquer modelo de passarela.

Recentemente, ela gravou para a terceira temporada da série Lilyhammer, sucesso no Netflix. “Faço o papel de uma atriz brasileira”, diz Ildi. O trabalho impulsionou o desejo de ganhar o mundo. “Sou uma baiana arretada, quando boto uma coisa na cabeça, eu vou e faço”, diz ela. Por isso, agora Ildi mora em Nova York sem data para voltar. Vem de vez em quando para o Brasil para trabalhar, fazer ensaios como este especialmente para Status. Depois, vai embora deixando saudade e chega a Manhattan intrigando quem a vê na rua, como o rapaz que não acreditou na sua mistura. A ele, podemos dizer que realmente não é uma mescla comum. Tanto que a britânica BBC chamou-a para um estudo sobre suas origens e, com a ajuda de um geneticista, descobriu que Ildi carrega 71,3% de gene europeu, 19,5% de ancestralidade africana e 9,2% de ameríndio. Só temos a agradecer à miscigenação dos povos. Ildi Silva está aí para provar que ela faz bem ao mundo.

Status Por que decidiu passar essa temporada no exterior?
– Ildi Silva Estavam acontecendo várias coisas, pintando vários testes no exterior e acabei de participar da série americana Lilyhammer. Já havia morado seis meses em Los Angeles quando fui aprender inglês e estudar interpretação, mas a participação na série acabou impulsionando a minha vontade de morar fora. Aluguei um apartamento no Soho em junho e não tenho data para voltar.

Mas o que você faz lá?
– Eu estudo inglês com professor particular para aumentar o meu vocabulário e também estou fazendo curso de interpretação.

Como foi encarar o desafio de ir sozinha para outro país?
– Eu sou uma baiana arretada. Quando boto alguma coisa na cabeça, eu vou e faço. Não tem essa de “você vai sozinha, não conhece ninguém”.

Você já está pensando em Hollywood?
– Estou tendo algumas reuniões com agentes para trabalhar aqui. Não sei se em Hollywood porque tem muita coisa aqui em Nova York também. Mas vou deixar as coisas acontecerem naturalmente.

Você tem namorado?
– Não, estou solteira. É um momento que eu escolhi para mim, não tem nada para me prender.

E os gringos, não ficam em cima de você?
– É engraçado (risos). Tem assédio, sim, principalmente na rua. Eles vêm falar, puxar papo. Acho legal essa forma deles de explicitar o que estão sentindo sem ser agressivos. É um approach diferente.

E funcionou com você?
– Por enquanto não (risos). Estou focada nos estudos.

Mas o que um homem precisa fazer para te conquistar?
– Tem que ser simpático, leve e engraçado. Acho que a vida já está difícil demais para ter alguém enfezado do seu lado. Inteligência e senso de humor são a química perfeita para me conquistar.

E a história da BBC para descobrir o seu biotipo, como foi?
– Eles estavam pesquisando alguns artistas no Brasil para descobrir a miscigenação das pessoas e me convidaram. Isso me esclareceu muita coisa. Eu não tinha ideia dessa mistura. Meu avô paterno era branco e tinha olho verde. Tem ruivo na família, é uma mescla que eu não conseguia explicar.

Mas deu certo…
– Graças a Deus (risos).

O que você faz para manter o corpo?
– Malho todo dia, corro, gosto de dançar. Faço bem pouco de musculação. Corro bastante no Central Park e no rio Hudson.

E os seus ídolos, quem são?
– Angelina Jolie e a Marion Cotillard. A Angelina faz um trabalho humanitário que vai além da carreira de atriz e é admirável. No caso da Marion, acho que as escolhas dela como atriz são muito boas. Como francesa, ganhou um Oscar e acaba quebrando paradigmas. Ela é de fora e mostra que tudo é possível. É só correr atrás e batalhar. Eu sou uma pessoa muito positiva, que acredita.

Mudando de assunto, um dos problemas no Brasil é o racismo. Inclusive a nova série da Rede Globo, chamada Sexo e as negas, está sendo acusada de ser racista. Como você enxerga isso?
– Eu não estou por dentro dessa polêmica, mas o Miguel Falabella (autor) é um cara brilhante. Nunca faria nada racista.

Você já sentiu na pele o preconceito por ser negra?
– Olha, no meu caso não. Já vi isso acontecer com amigos. Mas acho abominável, não tem por que ter isso. Todo mundo é igual.

Carlos Sambrana