A VOLTA DO K7

A era é do MP3, do streaming musical e do renascimento do vinil, mas quem anda ganhando novos admiradores é um formato que parecia morto: a fita cassete

 

Por Piti Vieira

 

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Os leitores mais novos podem não saber, mas houve um tempo em que o modo mais prático de escutar música era com fitas magnéticas, a outrora famosa fita cassete, popularmente abreviada como K7 no Brasil, que completou 50 anos no ano passado. Além de ter sido o único jeito de gente comum gravar sua própria seleção musical, o formato ajudou a incrementar incontáveis paqueras e conquistas, e também permitiu que bandas de garagem gravassem canções próprias. A tecnologia tornou-se popular na década de 80, com a criação do walkman, e virou febre até a chegada do CD, no começo da década de 90, quando desapareceu – ou quase.

Em pleno reinado dos players digitais, o revival da fita cassete tomou força em 2010, com dezenas de gravadoras independentes e de pequenos selos, como o mineiro Pug Records, se dedicando ao formato, sempre em tiragens limitadíssimas. Mais recentemente, o K7 começou a reconquistar artistas de peso, grandes gravadoras e até fabricantes de eletroeletrônicos que voltaram a incluir o toca-fitas nos aparelhos de som. Em 2013, Snoop Dogg lançou 7 days of funk também em K7 e o Dinosaur Jr., uma caixa com três fitas com os três primeiros discos da banda. Em janeiro deste ano, o DJ superstar Skrillex lançou três mil fitas do álbum Recess, assim como Dave Grohl fez com a trilha sonora do seu documentário Sound city, lançado em janeiro. Este mês, a trilha sonora de Guardiões da galáxia – terceiro filme mais rentável da Marvel, atrás de Os vingadores e Homem de Ferro 3, com arrecadação total de US$ 732 milhões até o mês passado – ganhará uma versão em fita cassete, chamada de Awesome mix vol. 1.

Pioneira na volta do k7, a gravadora Burger Records, fundada em 2007 pelos californianos Lee Rickard, 30 anos, e Sean Bohrman, 32, já vendeu mais de 250 mil fitas. Em 2014, foram mais de 300 lançamentos, contra 200 em 2012. Os números despertaram o interesse de grandes gravadoras como Universal e Sub Pop, que ofereceu a eles seu projeto mais ambicioso até o momento: uma caixa com cinco fitas do The Go, primeira banda de Jack White. “Fitas cassete são baratas de fazer e fáceis de vender. Por causa disso, os maiores compradores são os jovens, gente que, normalmente, nunca teve um toca-fitas antes”, diz Rickard. Os K7s da Burger Records são vendidos a partir de US$ 4 cada um. Já a produção de 500 fitas custa cerca de US$ 400 e leva duas semanas, contra US$ 1.000 para um lote mínimo de cinco mil CDs em um mês.

 

O SIDARTA DO RAP

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Convoque seu Buda, novo álbum de Criolo, está disponível para download gratuito desde o dia 4 de novembro no criolo.net. Já não era sem tempo. Nó na orelha veio ao mundo no distante 2011 e subitamente converteu o rapper do Grajaú, zona sul de São Paulo, em um compositor popular. Nada mal para quem estava há duas décadas fazendo um som de qualidade na quebrada. O repórter Jr. Bellé conversou com o músico.

O Nó na orelha (2011) misturava musicalidades. Essa foi uma preocupação para o Convoque seu Buda?
– Peguei canções que eu já tinha e outras que fui escrevendo em estúdio com o Cabral e com o Daniel Ganjaman (ambos produtores do disco). Não houve uma preocupação em juntar musicalidades, a gente quis que isso acontecesse com naturalidade. Deixamos as coisas rolarem.

Como as coisas rolaram?
– Muito bem. Na real, ainda não conseguimos cantar para celebrar uma mudança real para as pessoas. Mas a gente canta um desabafo e um pouco de esperança por dias melhores.

Você ainda acha que não existe amor em SP?
– Se você andar por 20 minutos em São Paulo, vai ver pelo menos cinco pessoas comendo comida do lixo. Isso não mudou. Eu vejo muita gente se esforçando para ter uma cidade melhor. Mas as coisas continuam ruins.

Você subiu ao palco com muita gente boa, entre eles o Mulato Astatke, etíope pai do ethio-jazz. Continua com um pé na África?
– Para mim isso é bem forte: meu avô era estivador no cais do porto de Fortaleza e meu bisavô era escravo. É um passado recente e quando se produz arte ele fica latente.

Para quem pensava em parar, você está indo longe, não?
– Só esse lance de fazer um novo disco já é surreal. Antes de 2011, jamais iria imaginar que a música ganharia esse peso todo na minha vida. Era impensável.

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PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

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Uma das mais bem-sucedidas trilhas sonoras de todos os tempos (vendeu mais de um milhão de unidades em suas primeiras semanas de lançamento, em julho de 1994) ganha homenagem especial este mês pelo seu 20o aniversário. A trilha sonora do filme Forrest Gump será lançada pela primeira vez em vinil com todas as 32 faixas do CD original, entre elas Hound dog, de Elvis Presley, Rainy day women, de Bob Dylan, Break on through (To the other side), do The Doors, e Sweet home Alabama, do Lynyrd Skynyrd. Os três discos, todos de 180 gramas, virão nas cores vermelha, branca e azul.

 

MUSA DO MÊS

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A atriz e cantora paranaense Marjorie Estiano, 32 anos, lançou recentemente seu terceiro disco, Oito, com participações especiais de Gilberto Gil e Martinália. Sucessor de Marjorie Estiano (2005) e Flores, amores e blablablá (2007), Oito é pop contemporâneo com elementos de brega e anos 1960, e surpreende pela boa qualidade do repertório autoral. Aliás, o título remete ao fato de a artista assinar sozinha oito das onze músicas do álbum.