KAREN JUNQUEIRA

A atriz global, no ar como a fofoqueira da novela Império, é uma obra de arte De carne e osso. Agora em exposição nas páginas de Status

 

Fotos André Nicolau  Edição Ariani Carneiro Styling Fabricio Miranda (Capa Mgt)

 

STATUS 42 - CAPA

 

Karen Junqueira interpreta uma fofoqueira na novela, mas não abre mão de ser discreta. “Detesto que tentem invadir minha privacidade”, afirma a mineira de 31 anos. Ela saiu de Caxambu com uma mão na frente e outra atrás – na verdade, só trazia R$ 150, e só conhecia uma pessoa no Rio de Janeiro. O sonho de ser atriz a levou a brigar com o pai. Taurina, ela diz sempre bater o pé quando resolve assumir um objetivo. Daí ter dado as costas a um bom contrato na Record, onde estava havia cinco anos, rumo ao abismo da vida de atriz freelancer. Deu certo: emendou um musical, participou da série global O caçador e agora é a divertida e peruaça ex-garota do tempo em Império. Mas de perua Karen não tem nada. Discreta, curte patinar na orla para manter os impecáveis 55 kg que recheiam seu 1,65 m,experimentar receitas orgânicas na cozinha, assistir a séries e mais séries e – infelizmente para os leitores – relaxar com um vinhozinho ao lado do namorado, o publicitário Rodrigo Medina, com quem está há um ano. Bem, nem tudo é perfeito, mas Karen, uma obra de arte de carne e osso, parece ter chegado perto.

Na novela Império você faz uma ex-garota do tempo. O que fecha o tempo?
Quando tentam invadir minha privacidade. Não gosto de grosseria, falta de respeito. Paparazzi faz parte da vida, claro. A partir do momento em que você tem exposição na TV, tem que entender o trabalho do fotógrafo. Mas gosto de tomar minhas próprias decisões, sou independente, detesto que se metam na minha vida. Sou teimosa, taurina e, quando coloco algo na cabeça, quero ser apoiada. Por isso busco a privacidade. Nas redes sociais, é natural que uma pessoa pública tenha seguidores, mas você tem que cuidar do que mostra. Gosto apenas de falar do meu trabalho, divulgar trabalhos dos amigos, instituições sociais. Não coloco coisas privadas. Mostro, por exemplo, os pratos que gosto de cozinhar, mas não exponho meu namorado se ele vai jantar comigo. Ele não gosta.

Parece que você gosta mesmo de cozinha. Mineira?
Quando volto a Minas eu enfio o pé na jaca mesmo, me esbaldo com doce de leite, tutu… Mas eu só cozinho no Rio. Eu me divirto no mercado, comprando coisas orgânicas para preparar meus pratos. Estudei culinária funcional, troco leite por farinha de amêndoa. Gosto de fazer frango com quinoa, macarronada de abobrinha, de pupunha… Não sou formada em gastronomia, sou só simpatizante. Mas quem sabe um dia tenho um programa de culinária na TV?

Tem algum papel que você gostaria muito de fazer?
Gosto de coisas desafiadoras. Fiquei louca com o trabalho da Barbara Paz com o Hector Babenco na peça Hell. Gosto de atores e atrizes que saem do lugar-comum. Quero tentar coisas novas. Às vezes as pessoas têm dificuldades em dar chances para determinados atores. Agora no filme A pelada (2013) eu fazia uma garçonete gay, meio fechada e grossa. O diretor me disse que quebrou o conceito dele em relação a mim. Os testes precisam ser desafiadores e dar chances para as pessoas fazerem coisas diferentes. Eu rasparia minha cabeça, por exemplo. Já escutei coisas como “ah, ela é bonita, loura, não faria bem tal personagem”… Mas não me acho nada demais. Meu talento está dentro de mim.

Beleza atrapalha?
Muito! Acho que o mercado às vezes é estereotipado. Esperam que uma pessoa bonita atue da mesma forma sempre. Gosto da Hilary Swank em Menina de ouro. Fiz um episódio de O caçador, contracenando com o Cauã Reymond, em que me inspirei nela. Trabalhei uma voz grave, fiz poucos movimentos para mostrar a timidez dela.

O namorado não chiou com as cenas calientes que teve com o Cauã?
Nada! Conversamos muito. Já tive esse tipo de problema no passado, mas ele entende. Ele é dez. Melhor, é vinte. Ele não tem ciúme, confia em meu trabalho de atriz.

Bonita, simpática, inteligente e legal. Fala um defeito seu, vai.
Acho que sou dura. Não gosto muito de gente, às vezes. E sou corajosa. Uma pessoa que sai aos 18 anos com R$ 150 no bolso sem conhecer quase ninguém, como eu? Era muito impulsiva. Nunca foi o dinheiro que me trouxe felicidade. Sou inquieta. Se estou em um lugar que não me desafia, eu fujo. Meu pai não queria que eu fosse atriz, mas eu bati o pé e vim para o Rio de Janeiro. Foi assim que saí da Record, um lugar onde eu adorava trabalhar. Mas eu queria fazer coisas novas. Saí sem ter nenhum trabalho fechado. Como eu disse, deve ter a ver com a minha cabeça dura.

Pela ideia deste ensaio, arte é muito presente na sua vida, não?
Estive em Inhotim e achei incrível o espaço da Yayoi Kusama. Foi uma experiência sensorial. Nunca tinha ido a um lugar onde você entra dentro da arte. Gostei também da instalação da Valeska Soares, que tinha uma projeção de um casal dançando em uma galeria de espelhos, e a dança era reproduzida em cada espelho. Eles dançavam bossa nova. Lindo.

Ronaldo Bressane