FINO TRATO

Um passeio pelo bairro dos Jardins, uma parada estratégica na barbearia e momentos a dois com uma boa taça de vinho. Neste ensaio, o empresário Rico Mansur quebra a formalidade das peças clássicas com personalidade, investindo em jeans junto de camisas e blazers. A combinação desses itens com jaquetas esportivas deixa a produção mais urbana para o dia e para a noite

 

Fotos Fred Othero  |  Texto Nirlando Beirão Edição de Moda Fabio Paiva | Coordenação Geral  Ariani Carneiro | Produção de Moda Murilo Mahler

STATUS - ENSAIO MODA

Rico usa calça R$ 300 e camisa R$ 190 Cavalera | botas Gucci R$ 1.400 | relógio Rolex Deepsea na Montecristo Joalheria R$ 43.300 | pulseiras Broers Borges R$ 55 (usada em todas as fotos junto com o relógio) Ela usa regata R$ 150 e botas R$ 420 Cavalera | short Dopping R$ 280 | cinto Dzarm R$ 80 | brincos Aulore R$ 1.180

 

Vamos imaginar que você está andando por uma rua dos Jardins, em São Paulo, meio desatento, enevoado pelos seus próprios pensamentos, arquitetando projetos e conjeturando negócios, quando ouve alguém chamá-lo – “Rico, Rico” – e que, depois de uma olhada em volta, percebe que o grito vem de um sujeito do tipo “poxa, eu já vi esse cara” mas, apressado como você está, não tem a menor vontade de parar para cumprimentá-lo.

O sujeito insiste – “Rico, Rico” – e você, só por gentileza, acena para ele, o qual, no entanto, aponta para uma van – Chrysler, você identifica – de vidros escurecidos, que tenta se enviesar desajeitada na rua estreita e movimentada, e eis que alguém lhe abre a porta de trás, convidando-o para entrar.

– Oi, Rico, te vi e resolvi parar. Faz tanto tempo, né? Como está você?

Bem, você é o Rico Mansur e quem diz isso para você é a Gisele Bündchen.

Os dois tiveram um affair “entre o primeiro Leo DiCaprio e o segundo Leo DiCaprio”, brinca o Rico, mas a Gisele, mesmo se não fosse a top número 1 do mundo já naquela época, mesmo sabendo-se que o Rico tem, em seu portfólio de conquistas, um nutrido plantel digno de catálogo da Victoria’s Secret e do calendário da Pirelli, mesmo assim Gisele é especial para ele, até porque ela é capaz de parar o carro numa rua engarrafada, desafiando o buzinaço e driblando aquela agenda sempre tirânica dela para fazer a um ex a gentileza de lhe perguntar como ele está indo. “Ela inspirou a minha vida”, diz Rico. Namorar Gisele foi, para ele, o rito de passagem para a maturidade.

Rico, no RG Ricardo Mansur Filho, 39 anos, ganhou fama de dom-juam das top models, pois teve, além de Gisele, a Isabeli Fontana, a Isabella Fiorentino, a Luana Piovani, mais recentemente a Cintia Dicker e antes dela a Bar Refaeli, que chegou a arrastá-lo até sua Israel natal para, juntos, descobrirem os lugares santos e os outros lugares nem tão santos assim (quando alguém tenta enumerar junto ao Rico sua contabilidade de alcova, ele desconversa: “Essas são as que vocês sabem; fora as que vocês não sabem”).

A ruiva Cintia parecia propensa a encerrar- lhe a bem-sucedida carreira de bachelor, um save the date chegou a ser expedido anunciando o casamento, mas o casal desistiu. “Estávamos vivendo momentos diferentes”, resume um sujeito para quem as imposições do cavalheirismo – e aí está a Gisele que não deixa mentir – recomendam manter com as ex uma relação de respeito e carinho. Hoje, está convencido de que “a prioridade é o trabalho”. “Estou feliz sozinho”, diz, “assim como sei que posso ser mais feliz com alguém”.

Na verdade, trabalha pra caramba. O imperdoável desaforo é que Rico conseguiu, desde cedo, fazer do seu prazer uma moldura de trabalho. Primeiro, o polo. Guarda orgulhosamente uma foto sua, com menos de dois anos de idade, já encarapitado num pônei, equilibrando-se com a ajuda da babá e de um peão da fazenda. Joga polo desde os 13 anos. Vício da família. O pai jogou, o tio ainda joga, os primos, todo mundo. “Minhas férias eram na fazenda”, recorda. Ou seja, desde cedo o Rico se acostumou a domar feras indóceis que não só as mulheres.

Virou profissional, ganhou a vida jogando mundo afora, disputando competições, buscando prêmios. Por muitos anos foi o melhor do Brasil. Frequentou o ranking dos 30 melhores do mundo (chegou a oito gols de handicap, o que dá assim, mal comparando com os craques do futebol, um Sócrates ou, se vocês preferirem, um Raí, no melhor de sua forma).

“O esporte dos príncipes!”, ironiza ele. “Tremendo engano. É dificílimo de jogar, quase impossível, daí tão poucos praticantes. O campo tem duas vezes e meia as dimensões de um gramado de futebol. Você bate na bola com força com uma das mãos, segura as rédeas com a outra, o jogo é em alta velocidade e você tem manobras rápidas e arriscadíssimas. Quedas acontecem, entrechoques, é um esporte extremanente competitivo.”

Em compensação, encerrada a refrega, os códigos da camaradagem descortinam a possibilidade de um convívio social capaz de tecer uma network para lá de conveniente para quem, como o Rico, funciona como uma ponte para negócios estrangeiros no Brasil. Mais uma vez, o business que ele atualmente privilegia – a cena noturna – reitera a falsa impressão do bon vivant que ele de fato está longe de ser.

“Não uso roupa de grife, meu único luxo é meu jeans Diesel, cansei de balada, faço exercício todo dia, bebo pouco, com quatro cervejas já perco a noção”, diz Rico, que é hoje sócio do bar-lounge-restaurante Brown Sugar, em São Paulo, assim como do Le Bilboquet, que ele trouxe de Nova York, além do Cafe de la Musique, em Florianópolis, o qual, com aquele elenco de stars mais do que starlets oferecido na agenda eletrônica do Rico e a invariável revoada do jet set que opera em euros, milhões e milhões de euros, acabou merecendo do The New York Times a citação de, desculpa aí, Ibiza, perdão, St.-Tropez, a melhor beach party do planeta. Neste início de 2015, Rico terá de fazer o sacrifício de passar 15 dias na hypada praia de Jurerê Internacional fazendo as honras da casa para seu frenético time de celebs.

“Minha família sempre me amparou, mas a verdade é que, como empresário, tive de me construir sozinho”, diz ele. Podia, quem sabe, ter se refestalado numa fortuna de herdeiro, se o seu pai, Ricardo Mansur, dono da Mesbla e do Mappin, não tivesse sucumbido a uma falência rumorosa. “De repente, caiu a ficha: ‘agora é com você, se vira!’” – lembra. “Foi um aprendizado precoce.” Ajudou o background de garoto formado em escola cosmopolita – a Porto Seguro – com estágio na Harrow School, nas redondezas de Londres; e o curso de administração de empresa; e as amizades internacionais do polo, a começar pelos príncipes da monarquia britânica; e a presença amorosa da mãe, a fina e chique Patrícia Rollo.

Ter 1,84 m de altura e aquela fina estampa não são atributos de se desprezar. Nos jogos galantes de sedução, é bem compreensível que assim seja (pergunto a ele qual é o seu sucesso entre as mulheres e Rico candidamente diz: “Acho que é porque tenho cara de homem, as coisas andam tão confusas ultimamente”). Mas também no trato civil, no universo do big biz, aparência e traquejo podem ser tudo. Em especial quando você também possui um nariz capaz de farejar timing e oportunidade.

Agora, por exemplo, Rico anda prospectando as promessas do agronegócio. Tem sócio grande na parada. Faz mistério, por ora. Anda viajando pelo Brasil adentro, revivendo aquela atmosfera antiga da fazenda familiar. Está apaixonado pelo que vê. “Você não sabe que beleza é Rondonópolis”, diz, enigmático. O certo é que de beleza, seja ela qual for, o Rico entende.

 

Produção Executiva Marina Felício | Beleza Bruno Miranda (Capa Mgt) Assistente de beleza Mariana Maia | Assistente de fotógrafo André Mello | Modelo Barbara Boller (Oca Models)