GOLES PRECISOS

Quer montar uma adega recheada de bons brancos e tintos sem gastar uma fortuna? O primeiro passo é ir atrás de produtores menos conhecidos e de regiões pouco badaladas

 

Por Suzana Barelli

 

STATUS 43 - VINHOS
Montar uma adega de vinhos é seguir algumas regrinhas básicas na divisão das garrafas: entre 15% e 25% de brancos, entre 40% e 50% de tintos e o restante dividido entre espumantes, rosados, vinhos de sobremesa e os fortificados, como Porto. Deve haver vinhos mais simples, para o dia a dia, as garrafas para ocasiões especiais e aquelas que vão envelhecer por anos, até por décadas antes de serem abertas. Mas, mesmo com regras, há adegas e adegas. Algumas são fabulosas, com os grandes vinhos do mundo; outras surpreendem por brancos e tintos não tão famosos, mas que revelam sua qualidade a cada garrafa aberta. E essa é mais difícil de ser preenchida: requer garimpar bem os vinhos, ao contrário da primeira adega, na qual basta ter dinheiro para comprar os grandes vinhos de Bordeaux, do Piemonte ou da Califórnia para começar a montá-la.

Hoje, para ter uma adega sem gastar uma fortuna é preciso ir atrás de produtores menos conhecidos e de regiões não tão badaladas (acompanhe as dicas de Status nas páginas 112 e 113). “É preciso fugir dos clássicos”, aconselha o especialista Paulo Brammer, um dos representantes no Brasil da Wine & Spirit Education, a mais conceituada escola de vinhos da Inglaterra. Pequenas e menos famosas regiões produtoras, algumas delas identificadas com as siglas DOC ou AOC, são um bom início nesta aventura. O fato de estar em uma denominação de origem indica que o produtor precisou seguir algumas regras de elaboração, que podem resultar em uma agradável bebida na taça. Fitou, no Languedoc, na França, é um desses casos, assim como as vinícolas do sul da Itália.

A Espanha parece ser o país europeu que mais apresenta rótulos que valem quanto pesam. “Não sei se é reflexo da crise econômica ou de novos produtores que precisam entrar no mercado, mas o fato é que os vinhos espanhóis têm bons preços”, afirma Gustavo Andrade de Paulo, diretor de degustação da Associação Brasileira de Sommeliers – São Paulo. Em Portugal, acontece fenômeno semelhante. No Douro, a mais nobre região produtora da terrinha, é difícil achar esses rótulos, mas no vizinho Vinhos Verdes ou em regiões menos badaladas, como Dão, Bairrada ou Lisboa, há boas pedidas.

Nos países do Novo Mundo, onde são mínimas as regulamentações, os achados tendem a estar entre os pequenos produtores. A África do Sul, com seu perfil de vinhos mais europeus e não tão frutados, é uma opção. E, para quem quer descobrir os custos-benefícios dos nossos vizinhos Chile e Argentina, uma ideia é viajar para essas regiões e aproveitar o melhor que o enoturismo tem a oferecer. Ao visitar produtores e provar seus brancos e tintos in loco, aparecem aqueles rótulos que não podem faltar na sua adega, sejam os mais simples, sejam os exemplares do Novo Mundo com capacidade de envelhecer bem.

Nessa caça às garrafas há uma última definição que deve estar sempre clara. Bons custos-benefícios não significam, sempre, rótulos baratos, mas aqueles vinhos cujos goles, certamente, valem mais (ou bem mais) do que custam.