MOTO DE PERSONALIDADE

Criado na década de 1960, na Inglaterra, O estilo Café Racer influenciou a indústria de motocicletas, abriu as portas para as nakeds e as esportivas e agora volta com tudo

 

STATUS 43 - MOTOS

Foto histórica: jovens ingleses apostam corrida entre um Café e outro. Daí surgiu o termo Café Racer

O termo surgiu de uma aposta. No início da década de 1960, na Inglaterra, alguns jovens entediados colocaram uma nota de dez libras sobre a mesa de um café de beira de estrada e um rock para tocar no jukebox. O desafiado deveria pegar sua moto, ir até outro café e voltar antes que a música acabasse. Como os cafés eram distantes entre si, quem quisesse ganhar precisava passar dos 160 km/h. Mas os rockers, como eram conhecidos esses britânicos que usavam jaquetas de couro e pilotavam sem capacete, não tinham grana para comprar motos velozes. A solução foi modificar as motos baratas que eles possuíam, das marcas Triumph e Norton, para ficarem mais rápidas. Nasciam assim as Café Racers.

Mas a tendência não ficou limitada às máquinas. Ela refletia também o estilo de vida de seus donos, como a maneira de se vestir e a música ouvida por eles, por exemplo. E aquela aposta se transformou em uma atitude que foi copiada e espalhou a cultura das motos feitas com as próprias mãos pelo mundo. Ótimas oficinas de customização surgiram – como a australiana Deus Ex Machina, referência máxima no assunto atualmente –, bem como blogs, sites e publicações especializadas. Além disso, não demorou para que fabricantes de motos começassem a vender Café Racers de fábrica e, paralelamente, uma nova onda de máquinas esportivas e baratas surgisse. Isso fez com que os donos de Café Racer de hoje pilotem não só as clássicas britânicas, mas também muitas outras motos de várias nacionalidades, como as italianas Moto Guzzi e Ducati e as japonesas Honda e Yamaha.

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Porém, todas seguem um padrão: tanque alongado, de alumínio ou fibra de vidro (com reentrâncias para os joelhos), guidão baixo e curto, pedaleira recuada (para proporcionar uma posição de pilotagem mais esportiva), banco individual de competição e remoção de quaisquer componentes que atrapalhem a aerodinâmica ou façam a moto andar mais devagar (incluindo, às vezes, lanternas e painel). Modificações no motor e na suspensão também são comuns. Esses ajustes a tornam uma motocicleta única, modificada para ganhar mais velocidade e ter boa dirigibilidade.

ÚNICA

Ainda que tradicionalmente as Café Racers sejam motos de média cilindrada, entre 450 e 750 cc, motos menores, de até 200 cc, como a Honda CG, a Yamaha RD ou a Suzuki Intruder, por exemplo, também costumam dar ótimos modelos da categoria. E é nesse segmento que o Brasil entra na admiração pelo estilo. Nos últimos dois ou três anos, uma explosão local aconteceu, e muitos bons projetos apareceram. É o caso da Bendita Macchina, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, que transforma motocicletas Honda e Yamaha em sonhos de consumo. A escolha tem um motivo prático. “A facilidade para encontrar peças de reposição é muito maior”, explica Rodrigo Marcondes, um dos proprietários da marca. Para tornar tudo mais exclusivo, nenhuma moto é igual a outra, o que torna cada Bendita Macchina única para seu comprador. “A gente quer imprimir arte sobre rodas, fazer coisas diferentes, mas que se enquadrem no nosso estilo. Essa é a graça do negócio”, diz Marcondes.

Seja por opção visual ou custo, a transformação também garante mais tranquilidade em relação ao roubo. “Uma Café Racer não é atrativa para o ladrão, afinal a moto tem poucas peças originais e pode ser facilmente diferenciada das outras”, diz o videomaker Douglas Studzinsk, de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, que publica o blog Garagem Cafe Racer há dois anos e a cada dia vê aumentar o número de seguidores e adeptos do estilo.

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