DIANA BOUTH

Recém-solteira, a apresentadora ressurge musa do verão, pronta para prosseguir a recente carreira de atriz e voltar a surfar águas que conhece muito bem: o hip-hop

 

Texto Ronaldo Bressane Fotos André Nicolau Edição Ariani Carneiro Styling Fabricio Miranda (Capa Mgt)

 

STATUS 44 - CAPA

 

A primeira vez que vi a sexy banhista destas páginas foi em uma lanchonete de São Paulo: a então musa do verão carioca tinha 19 aninhos, usava um top topíssimo, desses que fazem a gente acabar mais rápido o milk-shake, e já desarmava qualquer um com o sorriso aberto de gatinha de praia e aquele “olhar de assassina estilo Diana Bouth, mulher elétrica 10.000 volts”, como canta o Cartel MCs. Entrevistava Diana para seu primeiro ensaio sensual e ali sacava um blend fino: filha de surfista (Marcos Bouth) com atriz de teatro (Ângela Figueiredo), avó cineasta (Vera Figueiredo), padrasto músico (Branco Mello, dos Titãs) e namorado rapper (Marcelo Falcão), ela curtia tanto skate quanto hip-hop – dois gostos que hoje rimam, mas na época pareciam praias diversas. À frente de seu tempo, a musa foi apresentar o Zona de impacto, no SporTV, que liderou durante uma década. Depois foi ser “mãe profissional”, como diz – ao casar-se com o surfista Simão Romão, deu à luz Pedro e se meteu de cabeça no assunto maternidade, comandando no GNT o programa Mãe & cia.

Agora, aos 34 anos e de novo solteira – embora namorando –, Diana resolveu voltar à sua praia: surf, skate e rap. Deu uma leve derivada ao estrelar a caliente peça O casamento, de Nelson Rodrigues, no difícil papel da noiva Gabriela (muito elogiada, mesmo sem nunca ter estudado teatro), e planeja apresentar festivais de rap e campeonatos de surf e skate. De gatinha a gatíssima, como se vê neste ensaio clicado na praia da Baleia, litoral norte paulista, 15 anos depois daquele milk-shake posso suspirar de novo e dizer, sem mentir: oh, Diana, você não mudou nada.

– Bem, a gente combina então de se falar de novo só daqui a 15 anos?
– Nem quero pensar em como vou estar nessa época! Não estou preparada para isso. O negócio é mirar na minha mãe. Tem mulher mais incrível que Ângela Figueiredo aos 50?

– Para você que curte surf, como é viver a era Gabriel Medina sabendo que o Zona de impacto acabou?
– Cara, é terrível. Sempre fui fãzaça do Brazilian Storm (os jovens brasileiros que abalaram o circuito de surf mundial, como Medina) e acho uma pena que bem agora não exista nenhum programa de hardnews para esportes radicais. Vejo as categorias de base abandonadas, o circuito brasileiro à míngua… é um contrassenso a gente ver o Medina grande e o surf brasileiro tão largado.

– Você surfa?
– Só tiro onda, gosto de surfar de prancha grande, mar pequeno, ali na Barra. Estou me reencontrando com meus gostos depois dessa saída do GNT. Me reconectando tanto com meu surfistês quanto com o rap. Está na hora de sair da licença-maternidade! Agora que meu filho está com 8 anos, é hora de voltar.

– Diana, nos falamos há 15 anos e você não mudou nada.
– Como assim? Mudei meu estilo de vida quando fiz 29. Faço o CP Training, as aulas do César Parcias, que mistura musculação, funcional, localizada, uma hora de porrada intensa: se você faz uma aula dele três vezes por semana, sobe montanha, corre dez quilômetros em areia fofa. A Dora Vergueiro me apresentou. Hoje estou preparada para qualquer coisa. Fora isso, corro seis quilômetros em São Conrado, onde moro.

– Nada de balada?
– Na maternidade, larguei, estava focada em ser mãe, fiz uma faculdade disso! Quando me separei, há um ano e meio, fui redescobrir as coisas do passado, voltar a ver meus amigos. Agora estou a fim de voltar a fazer festivais. Mas a balada para beber, curtir, dançar, não vale mais. Só se for a balada para dar palco a quem merece.

– E encarar os homens como mãe separada, e vice-versa?
– Mudei muito. A gente se preserva mais, toma mais cuidado para se relacionar com alguém de verdade. Tem todo um ritual, um protocolo, um cuidado para apresentar ao filho. Agora estou namorando de novo, e foi tudo feito com cuidado. Ele é do rap…

– Sério? Você está imitando sua mãe: começou com surfista, depois foi para um músico…
– Estou muito sem graça com isso. Ele é o Rafael Batoré, um dos MCs do Cone Crew Diretoria. Estou na curtição total. Momento maneiro de realização pessoal, o que me move. Estou apaixonada. Pela vida. Muito legal o resgate dessas coisas que eu sempre gostei. Achei que não fosse viver mais isso, que não fosse curtir mais o rap, o surf…

– Como é manter um relacionamento hoje?
– Não planejo, aprendi a fazer isso para não me decepcionar. Procuro leveza e parceria. Os relacionamentos estão tão impessoais que quando você encontra alguém que fecha contigo, se diverte, te entende no olhar, é solto e cúmplice… Fui num show dele e a gente se conheceu. Fico tão sem graça de falar nisso. É tudo muito novo e recente, tenho que tomar cuidado.

– Você sempre transitou por meios machistas. Ouviu muita bobagem?
– Sempre fui profissional. Por mais que tenha sido casada com surfista, no ambiente de trabalho mantenho a disciplina. É um ambiente masculino, não machista. Então, respeite para ser respeitado. Nunca ninguém me deu uma letra errada. Uma vez queriam fazer um ensaio sensual comigo com uma prancha de surf, uma de skate e umas pick-ups. Eu disse não. Não sou surfista, skatista, MC, b-boy, DJ nem grafiteira! Nunca trabalhei de biquíni na praia em 15 anos de SporTV. Separo as coisas.

– Nem cantadas ouviu?
– Olha, acho melhor ouvir um fiu-fiu do que receber uma mensagem bizarra de texto. Gente, fiquei solteira há pouco tempo, então não conhecia o WhatsApp. Tomei cada susto! As pessoas pela rede são uma coisa, e pessoalmente outra… Em tempos de WhatsApp, um telefonema vale ouro. Eu sou old school!

– Você se preserva nas redes sociais.
– O Facebook eu tenho para falar com pessoas de outras cidades, outros países onde vivi, mas fecho só para relacionamentos pessoais. Só deixo aberto o Instagram.

– E 2015, qual vai ser?
– Gostei de teatro, quero fazer isso. Mas pretendo voltar a trabalhar com essas coisas de que posso falar com propriedade, tipo rap, surfe, skate. Outro dia fiquei ao vivo oito horas e 40 minutos cobrindo um evento de skate, me senti criança na Disney.

– Estava vendo estas fotos e, bem, acho que já te falei isso: você não mudou nada…
– O que é isso! Estou muito mais legal agora… Hoje eu me divirto. Nessas fotos soltei um lado B meu, um lado do mal. Todo mundo tem, né?

– E seu amor pelo Palmeiras…
– Ai, meeeu! Esse ano foi tão difícil, a gente quase caiu de novo… Mas não desisto de torcer. Sempre acredito. Palmeirense não desiste nunca!

 

Beleza André Veloso (Capa MGT)  |  Produção de moda Fernando Batista  |  Produção executiva Marina Felício  |  Assistente de foto Eduardo Martins