SHOW DE INOVAÇÃO

O conselheiro da Status Anuar Tacach conheceu os bastidores do Tomorrowland, um dos maiores festivais de música do mundo. Ele conta com exclusividade todos os detalhes por trás dessa gigantesca máquina do entretenimento

 

STATUS 44 - TOP SECRET

 

Do lado de fora, mais de 60 mil pessoas se divertiam ao som dos principais DJs do planeta. Para quem nunca havia participado de um evento como aquele, a fazenda na pacata cidade de Chattahoochee Hills, a 30 minutos de Atlanta, nos Estados Unidos, parecia um mundo à parte, um universo mágico com gente alegre – muitas delas fantasiadas sem a menor vergonha. A cenografia e o som dos sete palcos que não se misturava revelavam que ali não existiam amadores, era uma festa pensada nos mínimos detalhes. Do lado de dentro de uma pequena sala com cerca de 20 pessoas, porém, deu para entender o nível de sofisticação e controle envolvidos em um festival como o TomorrowWorld, nome de batismo do famoso Tomorrowland nos EUA. Dali, tudo era analisado, escrutinado pela equipe de segurança. Uma dúzia de drones sobrevoava o espaço com milhares de metros quadrados e enviava as imagens para a sala de controle. Observado qualquer problema ou sinal de roubo, o pessoal em terra era mandado para resolver. Em outro computador, um funcionário mapeava tudo o que os participantes do festival comentavam. Um software de monitoramento de redes sociais captava palavras-chaves para descobrir e identificar se alguém estava vendendo droga ou subornando o garçom para ter bebida de graça. Cada pessoa era imediatamente localizada pela pulseira que, até então, eu achava ser apenas o ingresso do evento.

Mas era muito mais do que isso: ela reunia inovação e tecnologia. Com um chip acoplado, que fornecia todos os dados de cadastro, era possível creditar um valor e debitar em todas as áreas do evento – não existia o uso de dinheiro físico e os organizadores sabiam em tempo real tudo o que era consumido naquela imensidão. Sabiam também onde você transitava. Entrar em um camarote sem ter permissão? Esqueça. A sala de controle era avisada caso alguém ultrapassasse a linha permitida. “Tudo é anotado. Qualquer ocorrência, até quem passa no ambulatório, chega até a sala de controle”, diz Luiz Eurico Klotz, diretor da Plus Talent, empresa do conglomerado SFX Entertainment, gigante na área de entretenimento, dona da franquia Tomorrowland e sócia do Rock in Rio. A pulseira também permite a interação entre os frequentadores do evento. No festival realizado na Bélgica, por exemplo, bastava tocar uma na outra para se conectar àquela pessoa nas redes sociais como o Facebook. Não é à toa, portanto, que o Tomorrowland se tornou um dos principais eventos de música do planeta, levando milhares de pessoas ao delírio em todos os cantos do mundo para ouvir Djs como Armin Van Buuren, David Guetta, Steve Aoki e Moby, entre outros. Uma febre que desembarca no Brasil nos dias 1o, 2 e 3 de maio, na cidade de Itu, interior de São Paulo, e promete trazer todo esse conceito para o País.

Condições Climáticas

A começar pela venda de ingressos. Quando foram abertas as negociações pelo site, não deu nem para respirar. Em 2h45 foram vendidos 180 mil tíquetes de entrada. Afinal, é a primeira vez que o festival criado na Bélgica, em 2005, virá para a América Latina. Mas a programação desse evento envolve foco e planejamento de guerra. Por isso, todos os detalhes estão sendo discutidos há cerca de dois anos. Isso mesmo! São dois anos para planejar e botar de pé um evento de apenas três dias. “Analisamos até as condições climáticas do lugar, os feriados, os eventos concorrentes”, diz Klotz, da Plus Talent. Serão 60 mil pessoas por dia para assistir a 150 atrações divididas em seis palcos espalhados em uma área de 1,2 milhão de metros quadrados. Deste total, 400 mil metros quadrados foram reservados ao Dreamville, um acampamento que receberá 20 mil frequentadores do festival. É uma minicidade que contará com cerca de oito mil barracas e toda a estrutura de suporte. “Além do básico, composto por banheiros, chuveiros e várias opções de alimentação, haverá também uma série de lojas nas quais o público vai encontrar desde artigos de camping até filtro solar, roupas, artigos oficiais do Tomorrowland, armários com chave para guardar os bens de valor e estações de recarga para telefones celulares. Tudo isso para que nada atrapalhe a diversão”, diz Mauricio Soares, vice-presidente de marketing da ID&T, empresa da SFX.

Como o Tomorrowland é um evento global, é comum ver gente de vários países em cada festival. Na Bélgica, foram contabilizadas 214 nacionalidades. Por aqui, já foi confirmada a presença de pessoas de 54 países. Estima-se que serão consumidos cerca de 60 mil litros de cerveja por dia, fora outros milhares de sanduíches e pratos. “Já temos parcerias fechadas com a Skol Beats, com o energético Fusion e com a Souza Cruz”, revela Soares, da ID&T. Para animar o público e trazer toda a atmosfera lúdica, o tema escolhido foi o famoso The Book of Wisdow, o mesmo usado no Tomorrowland da Bélgica, em 2012. Toda a estrutura cenográfica será trazida direto do país europeu para o Brasil, uma logística colossal para aterrissar toneladas de equipamentos. Só o palco principal, por exemplo, terá 120 metros de extensão. Para dar conta de tudo isso, os organizadores estimam em sete mil pessoas trabalhando diretamente no evento. Só no entorno, com serviços e rede hoteleira, ele deverá movimentar R$ 250 milhões. Se você ainda tem algum tipo de preconceito com o público de música eletrônica, definitivamente, é melhor rever seus conceitos.

Festa sem fim

O primeiro Tomorrowland aconteceu na Bélgica, na pequena cidade de Boom, em 2005, e já nasceu com o objetivo de criar uma atmosfera lúdica mesclada com música dos melhores DJs do mundo. A primeira edição contou com dez mil participantes e DJs sets de Sven Väth, Armin van Buuren e Erol Alkan, entre outros. Fez tanto sucesso que passou a ser um festival anual, levando cada vez mais público para seus domínios: 15 mil em 2006, 20 mil em 2007 e… 180 mil em 2011, com três dias de festa. Em 2013, pela primeira vez, os Estados Unidos receberam o evento. Agora chega a vez do Brasil, o terceiro destino do Tomorrowland. São esperadas 180 mil pessoas nos três dias de festa, gente de todas as partes do mundo, sobretudo da América Latina.