MOTOQUEIRO BAD BOY

Chef de cozinha, cantor de uma banda hardcore, jurado do programa MasterChef, da Band… Agora, Henrique Fogaça ataca de modelo e dá a receita de estilo sobre duas rodas

 

 

Texto Carlos Sambrana Fotos Fred Othero Edição de Moda Fabio Paiva

 

STATUS 44 - MODA

 

Mal chega à cozinha e já vem pedido de cliente. “Podemos tirar uma foto?”. Os garçons se olham de rabo de olho, abrem um sorriso sarcástico e começam a brincar. “Agora é a vez das henriquetes”, dispara um dos funcionários que servem as mesas no premiado restaurante Sal, no bairro paulistano de Higienópolis. As henriquetes são, na verdade, as fãs do chef de cozinha Henrique Fogaça, 40 anos, o homem que manda nas panelas do Sal e também é dono dos bares Cão Veio, um gastropub em Pinheiros, e Admiral’s Place, especializado em uísque, localizado no andar de cima de seu restaurante. “O movimento nas minhas casas dobrou”, diz Fogaça. “Vem gente de todo o Brasil aqui e tenho que atender todos. Mas fico imaginando como deve ser a vida dessas pessoas muito conhecidas.” O chef, é verdade, já era famoso no mundo da gastronomia, recebeu diversos prêmios pelos seus talentos culinários, mas nunca tinha provado o gosto da fama no sentido mais amplo. Isso só foi possível depois que Henrique se tornou um dos jurados do MasterChef, reality show da Rede Bandeirantes, apresentado por Ana Paula Padrão, em que 16 participantes duelam para ver quem é o melhor cozinheiro.

No programa, que terminou em dezembro passado, Henrique fazia o papel do chef bad boy, duro com os candidatos – uma imagem potencializada pelo seu tipo: fortão, lutador de muay thai, cheio de tatuagens (ele tem entre 70 e 100), cantor de banda hardcore, motoqueiro de carteirinha e sem papas na língua. “No programa eu também me emocionava pela história das pessoas”, diz, referindo-se às cenas em que seus olhos se encheram de lágrimas. “Mas na cozinha do Sal eu sou casca grossa mesmo. Já botei muito nego pra chorar. Aqui não tem brincadeira, sou exigente e cobro muito”, diz, entonando sua voz tipicamente rouca. “Ser chef de cozinha virou moda, mas moda não sobrevive. A cozinha é para quem gosta, tem que ter pegada”, explica. Henrique fala com a propriedade de quem batalhou muito antes de conquistar respeito à frente do fogão. Nascido em Piracicaba (SP) e radicado em Ribeirão Preto (SP) até os 20 anos de idade, ele veio para São Paulo para tentar uma nova carreira. Acabou arrumando emprego na área de compensação de um banco, onde trabalhou por cinco anos, e, de tanto cozinhar para ele mesmo, passou a fazer sanduíches e bolos para vender no trabalho. Percebeu que ali estava a sua paixão e foi se especializar, entrando no curso de chef executivo de cozinha na faculdade FMU.

As famosas escolas Le Cordon Bleu e Lenotrê nem passaram perto de seu caminho. A via escolhida foi a rua. Ao lado do cunhado, ele vendia hambúrgueres em uma Kombi e, quando a sociedade acabou, começou a vender lanches de porta em porta. Fez um estágio curto no D.O.M. de Alex Atalla, mas quando um amigo ofereceu um pequeno espaço no pátio de uma galeria de arte, a Galeria Vermelho, ele agarrou com unhas e dentes e até hoje está lá. Mesmo aclamado pela crítica, o chef não esqueceu suas raízes e é um ferrenho defensor da boa comida por um preço justo. “Comida não pode ser tratada como artigo de luxo”, diz. Por isso foi o precursor de “O Mercado”, a primeira feirinha gastronômica de São Paulo, criada em parceria com o chef Checho Gonzales, na qual pratos de chefs renomados são oferecidos a R$ 15. Mas por que foi escolhido para ser um dos jurados do reality ao lado do francês Erick Jacquin e da argentina Paola Carosella? “Sou meio Bombril, tenho mil e uma utilidades”, brinca.

Casado com Fernanda, pai de Olívia, 8 anos, e de João, 6 anos, ele também reserva o seu tempo para ajudar vários projetos sociais com a sua turma do moto clube In’ Omertà, que reúne dezenas de aficionados por máquinas de duas rodas. “Ando de moto 98% do tempo. Tenho duas Harleys, uma Deluxe 1600 e outra Sportster 1200”, diz. Com a turma da moto, ele participa de programas para recuperar presos no Nordeste e distribui brinquedos na periferia. “Em 2013, foram 15 mil brinquedos”, diz. Ele também ensina gastronomia para crianças especiais. “Você não precisa dar dinheiro. Para fazer algo pelos outros, é só doar um pouco do seu tempo.” E tempo, esse sim, tem virado artigo de luxo para Henrique, que emprestou sua imagem para as marcas de cerveja Fogaça, Cão Veio, Sal e Mercado; e também para a marca de pimenta De Cabrón. “Recebo 10% de royalties sobre as vendas dos produtos.”

Nas horas que sobram, o chef ataca de cantor da banda hardcore Oitão. Criada em 2008, a banda reúne quatro amigos e já tem uma agenda própria. No começo deste ano, por exemplo, abrirá o show do Sepultura, em Ribeirão Preto (SP). Lançará também um CD cujo nome é Pobre Povo. “Ele vem com uma pegada crítica. As músicas falam sobre sociedade e corrupção, tudo o que temos visto ultimamente”, diz Henrique, cujo ídolo é Marky Ramone, da extinta banda punk Ramones. “A música sempre esteve na minha vida. Gosto de punk, de rock, de metal”, diz. Mas show mesmo, é o que ele dá na cozinha.

 

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