O BRILHO DE FELICITY JONES

Os gestos delicados, a voz macia e o tipo mignon podem sugerir uma personalidade frágil. Mas não há nada de mulherzinha indefesa em Felicity Jones, a inglesa que cresce (e muito) nas telas. É dela uma das atuações femininas mais poderosas do ano, o que promete colocá-la entre as finalistas do Oscar na categoria.

 

Por Elaine Guerini, de Los Angeles

 

STATUS 44 - APPROACH, PROJEÇÃO

Em A teoria de tudo, cinebiografia de Stephen Hawking (Eddie Redmayne), Felicity vive a primeira esposa do cientista portador de esclerose lateral amiotrófica. Revisitada pelo olhar de Jane Hawking, a história não ousa questionar a genialidade do autor de Uma breve história do tempo. Apenas deixa dúvidas se o físico teria alcançado a glória sem a força da mulher, que segurava o rojão no âmbito doméstico. A atriz de 31 anos falou à Status.

Como conseguiu não ser ofuscada por Eddie?Embora sua atuação seja mais sutil, sem exigir a transformação física, é tão impactante quanto a dele.Devo isso ao roteiro, por ser baseado no livro de memórias de Jane e por contar a história dos dois, explorando como a doença afetou a vida e o casamento. Ela teve bravura e persistência admiráveis diante de circunstâncias tão duras.

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Mesmo ciente do diagnóstico, Jane se casou com o físico, tendo três filhos. Faria o mesmo?Não sei. É espantoso como, aos 17 anos, Jane decidiu embarcar em uma relação que pediria tanto sacrifício. Imagine ser mulher de alguém que exige tantos cuidados, além da tese que ela queria escrever e das tarefas com a casa e os filhos.

Como vê o triângulo amoroso, quando Jane inicia uma relação com o diretor de coral de igreja (que hoje é seu marido)?Como algo corajoso. Havia algo de anárquico na vida deles. Isso permitiu a presença de outro homem, que inclusive ajudava Jane com o marido. Houve um período em que ela amou os dois. E quem somos nós para julgar?

 

A volta por cima de Michael Keaton

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O cineasta Alejandro González Iñárritu provavelmente terá a eterna gratidão de Michael Keaton. Depois de estrelar tantos filmes ruins ou inexpressivos, o ex-intérprete de Batman ressurge das cinzas, fazendo a melhor atuação de sua carreira. Justamente por espelhar a sua trajetória de vida, Keaton está brilhante como o protagonista de Birdman, um astro decadente que busca desesperadamente a atenção perdida. Ele é um sério candidato ao Oscar.

 

O Adeus de Robin Williams

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O ator morto em agosto, aos 63 anos, se despede em Uma noite no museu 3 – o segredo da tumba, seu último trabalho nas telas. Quase como uma premonição, numa das cenas finais de Teddy Roosevelt, seu personagem, o presidente perde a vida com a quebra do encanto, voltando a ser apenas uma estátua de cera.

 

Angelina em ação

Estrela arregaça as mangas para contar história de superação sobre herói de guerra que foi seu vizinho

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Embora tenha poder de sobra em Hollywood, Angelina Jolie precisou de muita lábia para rodar Invencível – em suas palavras, “um filme sobre sobrevivência e perdão”. O drama relembra os horrores vividos por Louis Zamperini, atleta olímpico que foi torturado pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. “Tive de convencer executivos de estúdio, já que não ofereço garantia de bilheteria como diretora.” Para “vender” o filme, ela fez cartazes para ilustrar a proposta visual que queria. “Cheguei à primeira reunião nervosa, carregando tudo em sacos de lixo. Riem de mim até hoje por isso.” Mas valeu a pena. Angelina conseguiu mostrar o filme pronto a Zamperini, que morreu aos 97 anos, em julho. Ele era vizinho de Angelina e Brad Pitt em Hollywood. “Vimos no meu laptop, enquanto Louis estava no hospital. Ele se emocionou.”

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Carell irreconhecível

Steve Carell precisou de uma prótese no nariz para se distanciar da imagem de comediante, que o consagrou desde a série “The Office”. Em vez de arrancar risadas, o ator desperta a pena do espectador no papel de John du Pont (1938-2010), protagonista de Foxcatcher – uma história que chocou o mundo. Foi esse ricaço perturbado que assassinou, por inveja, o lutador Dave Schultz, medalha de ouro na Olimpíada de Los Angeles em 1984. “Embora eu acredite abordar comédia e drama da mesma forma, o nariz falso fez com que as pessoas me vissem e me tratassem de modo diferente no set de filmagem. Nem eu imaginava o poder que esse adereço teria na minha cara”,contou Carell.

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