EM NOME DO SEXO

Os evangélicos estão cada vez mais dispostos a apimentar suas relações. E agora com a bênção dos pastores

 

Por Jr. Bellé

 

STATUS 44 - APPROACH, LADO B

Até Deus duvidaria, mas os evangélicos são a fronteira da vez no mercado erótico brasileiro.  Prova disso é que no fim de 2014, a Abeme (Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico e Sensual) publicou o Guia Gospel para Sexshops e Consultores de Casais. O lançamento sacraliza a malandragem sob as bênçãos dos pastores (tudo dentro do casamento e apenas entre homens e mulheres, é claro). O livro está disponível apenas em versão digital no site da Abeme e possui um público alvo: lojistas e empreendedores do setor sensual. Ele traz dicas de como lidar com essa nova clientela. Essa é a grande preocupação de Paula Aguiar, presidente da Abeme e coautora do guia. “Sentimos que nosso ramo precisa entender melhor as demandas desse público”, diz. Por isso, a associação realizou inúmeros encontros com empresários e pastores durante 2014: “Foi a partir desse esforço que surgiu a ideia do guia, ele documenta o que foi discutido”. É preciso alguns cuidados ao desbravar o território espinhoso entre o prazer e a religião e arrebanhar novos fiéis para os vibradores, géis, plugues, etc. “O guia mostra que a maneira de passar a informação deve ser diferente. É importante focar em aspectos relacionados à saúde e ao bem- estar do casal”, conta Paula.

BRINQUEDOS VS DIVÓRCIO

O português João Ribeiro é coautor do guia e “evangélico nascido e criado dentro da Congregação Cristã”. Ele jamais havia pisado numa sexshop até que, há três anos, o crescente número de divórcios chegou ao quintal ao lado arrebatando seus vizinhos e destruindo as famílias de seus irmãos de fé: “O divórcio é uma realidade que cresce entre nós e percebemos que não existe, nas igrejas, um grande apoio aos casais”. Temendo que o mal pulasse a cerca, e notando uma oportunidade de negócio, abriu uma consultoria de casais com sua mulher, Lídia, também coautora do guia. Eles passaram a comercializar produtos eróticos, especialmente cosméticos, para esquentar o sexo entre os casais evangélicos e salvar as uniões que Deus abençoou. “O guia é importante para todos respeitarem o cliente evangélico. É preciso ter sensibilidade. Com o guia, a gente não está vendendo uma solução para o casamento, mas o sonho de que aquela união persista.”

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