MICHELLE MARTINS

A atriz, que já atuou no cinema, na TV e no teatro, interpreta nas próximas páginas uma chefe sedutora em busca do prazer no trabalho

 

 Texto Carlos Sambrana  Fotos Cadu Assalin 

 

STATUS 45 - ENSAIO

 

Lá estava ela. Ali, na quadra da Imperatriz Leopoldinense, surgia a personificação da mulher descrita por Adriana Calcanhotto na música À brasileira: “uma morena sacudida, de olhos negros e face cor de jambo, lábios rubros, cabelos de azeviche”. Michelle Martins, então com 17 aninhos, posava uma matéria cuja missão era retratar os bastidores da tradicional escola de samba. Mas a musa chamou tanta atenção que foi “convocada” para concorrer ao prêmio Musa do Verão, que elegeria a mais gata das praias cariocas. Com “a beleza que mata, que enfeitiça” – essa música, definitivamente, foi feita para você, Michelle – “pôs todos bambos”, venceu o concurso e foi convidada a integrar o casting da Elite Models. Com seu perfil tipicamente brasileiro, virou a queridinha de marcas internacionais e chegou a filmar clipes de astros da música americana como Snoopy Dog e Will. I. Am, do Black Eyed Peas. Fisgada pela arte, não parou mais.

Michelle fez escola de teatro, cursou a oficina de atores da Globo e os trabalhos na telinha – e também na telona – começaram a surgir. Desde uma patricinha no filme O cupido trapalhão a uma diretora de ONG na novela Beijo do vampiro e diversas participações em séries que vão de A diarista até Força-tarefa. Na Record, atuou em Bicho do mato e Poder paralelo. Deu um tempo e se dedicou ao teatro na peça Dona Flor e seus dois maridos. Mas o papel que faria com que dez em cada dez homens babassem diante da televisão veio em 2011, quando interpretou a personagem Deusa, na novela Fina estampa. Ela, literalmente, tirava o sono dos hóspedes de uma pousada onde morava. “Me deu uma visibilidade que eu não imaginava”, diz Michelle. Depois da personagem que marcou a sua carreira, participou do filme O palhaço, com direção de Selton Mello, e, nos últimos tempos, tem se dedicado à peça Casar pra quê?, uma comédia dirigida por Eri Johnson assistida por 600 mil pessoas nos últimos oito anos. A exuberante morena só parou por alguns meses porque precisava se dedicar ao filho Miguel, fruto de uma união de mais de uma década e que acaba de completar 1 ano. Mas agora está de volta em uma turnê que começa neste mês no Teatro dos Grandes Atores, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Michelle, hoje com 35 anos, mais madura e segura de si, também está de volta às telinhas. Em junho, ela surge na série Os suburbanos, do humorista Rodrigo Sant’Anna, no Canal Multishow. Ela fará o papel da periguete Tatienne, uma sacoleira que trabalha no Mercadão de Madureira. “A minha personagem dá em cima dos caras e ela sabe que chama a atenção. Ela caminha no mercadão se achando a dona do lugar, com roupas minúsculas e é exuberante.” Michelle atrai olhares e ela sabe disso. “Mas sou muito discreta, não gosto de ser o centro das atenções.” É, entretanto, inevitável. Recentemente, o americano James Wan, diretor do filme Velozes e furiosos 7, que será lançado em abril, viu uma foto de Michelle em uma revista no iPad e ficou obcecado em tê-la na produção hollywoodiana. “Os produtores me ligaram, queriam que eu fizesse um teste, pois eu tinha o perfil para o papel. Mas eles precisavam de uma atriz com inglês fluente, não um inglês mais ou menos. Aí, acabou não rolando. Fiquei arrasada.” Certamente, outras oportunidades virão. Ainda mais depois deste ensaio. Afinal, sempre que ela tira uma foto, alguém descobre um talento de Michelle a ser explorado.

– Você acabou virando atriz meio sem querer, mas já existia essa vontade de atuar?
– Sim, adorava uma foto e sempre entrava na frente de uma câmera. Em casa, eu brincava de paquita com as minhas irmãs.

– Como foi a sensação de surgir na telinha?
Foi bem bacana e, ao mesmo tempo, estranho. Até hoje acho esquisito me ver na televisão. Só vejo a cena depois para avaliar o que acertei ou errei.

– Você prefere TV, teatro ou cinema?
Eu adoraria fazer mais cinema, acho incrível. Também gosto muito de TV. Já o teatro é uma delícia porque você improvisa e tem a reação do público naquele momento. Cada arte tem um gosto especial.

– E agora você volta para a televisão e aos palcos ao mesmo tempo…
Isso. Volto com a peça Casar pra quê?, agora em março. É a história do cotidiano de um casal recém-casado. A peça começa com eles casando e, no primeiro dia de casado, ele vai para um jogo de futebol. Aí começa a briga. Ele diz que ficou muito tempo com ela na festa e está na hora do jogo. Essa peça foi um grande presente que eu recebi. Eu nunca tinha feito comédia. Na televisão, estreio em junho na série Os suburbanos, do Rodrigo Sant’Anna, no canal Multishow. Faço o papel da Tatienne, uma periguete do subúrbio. Ela é uma sacoleira que trabalha no Mercadão de Madureira e dá em cima dos caras. Ela caminha no mercadão se achando dona do lugar, é exuberante, chama a atenção.

– E você, sabe que chama a atenção?
A gente sempre sabe. Sou muito discreta, não gosto de ser o centro das atenções. Por incrível que pareça, sou tímida. Mas eu gosto de estar bem, me sentir bonita.

– Mas não acha que é essa naturalidade que atrai as pessoas?
Pode ser, já me falaram isso. Eu gosto de ficar no meu cantinho, mas, se vou sair na night para me divertir, gosto de me olhar no espelho e sentir que estou atraente.

– Como se mantém em forma?
Eu sempre malhei a vida inteira, mas nunca tive disciplina alimentar. Agora estou malhando como nunca e comendo só alimentos saudáveis. Estou fazendo musculação, sessões de massagens modeladoras e todos os tratamentos estéticos que você possa imaginar. A minha personagem anda com roupas minúsculas, quase sem roupa.

– Então os marmanjos na TV vão gostar?
Eu acho que sim.

– E o marido, não reclama?
Ele me conheceu quando fui eleita musa, ele se acostumou e entendeu que essa é a minha profissão. É por isso que estamos juntos até hoje. Mas é claro que ele não liga a TV quando estou beijando alguém.

O ensaio que você fez para a Status mostra uma mulher que seduz o funcionário no trabalho. As mulheres hoje estão em pé de igualdade com os homens quando o assunto é sedução?
Sim! E como estão (risos). Elas estão mais seguras e determinadas. Tomam a iniciativa mesmo.

– Você já tomou a iniciativa para conquistar um homem?
Confesso que sou um pouco careta nessa parte. Ainda acho bonito e mais interessante o homem tomar a iniciativa.

 

 

 Produção executiva Marina Felício  |  assistente de foto Pamela Garcez  |  Modelo Diego Pasquini (Mega Model Brasil)