CONFISSÕES DE UM DIFÁLICO MUITO LOUCO

Sim, amigo, mister DDD nasceu com uma anomalia anatômica congênita conhecida com difalia, que acomete um a cada 5,5 milhões de homens nos Estados Unidos

 

Por Reinaldo Moraes

 

STATUS 45 - PORNOPOPEIA

 

Imagine o seguinte
pesadelo: você acorda de manhã e, ao dar aquela coçada básica nas pudendas antes de sair da cama, sente algo esquisitíssimo, ali onde deveria estar seu pau. Não que ele tenha sumido ou se transformado num rabanete ou numa jaca. Nada disso. O que você percebe com horror – afinal, trata-
se de um pesadelo –, é que, além do seu costumeiro pau velho de guerra, nasceu-lhe outro pinto ao lado, maior até que o antigo. Isso mesmo: agora você é o feliz (?) proprietário de 2 (!) paus, ambos nascendo na base do seu púbis, cada um prum lado do saco. Um pau sobre a bola direita, outro sobre a esquerda.

E agora? – é o que você se pergunta, em pânico, no pesadelo. E mais: com qual dos dois apêndices, o velho ou o novo, você vai aliviar sua bexiga transbordante de xixi noturno?

A resposta a essa questão, por incrível que pareça, não poderá ser encontrada no seu pesadelo, e sim na vida real. Mas precisamente na vida de um cara como o DDD, apelido de um americano de carne e osso e dois pintos, para quem tal condição, nada pesadelesca, é apenas a sua natureza cotidiana desde que se conhece por gente. Sim, amigo, mister DDD nasceu com uma anomalia anatômica congênita conhecida com difalia, que acomete um a cada 5,5 milhões de homens nos Estados Unidos.

DDD é um acrônimo de DoubleDickDude, literalmente cara de pau duplo. Apesar do DDD não botar a cara na mídia nem divulgar seu nome verdadeiro, há vários selfies de pau – de paus, no caso –, postados por ele na internet, exibindo seu dote duplo de vários ângulos e em vários estados de animação. E sem o auxílio do nafando pau de selfie, diga-se de passagem. Não sei se você vai ter a pachorra de ir na internet pra ver isso, mas te adianto que é esquisito pra caralho – pra caralhos, digo. E se quiser saber detalhes da vida íntima do sujeito, é só encomendar pela internet a autobiografia que ele escreveu e vem divulgando, intitulada Double header: my life with two penises (Chapeleta dupla: minha vida com dois pênis, Amazon, edição eletrônica, US$ 7.48).

Ali o homem com dois paus conta que, a despeito de sua anomalia, a qual deve ter causado não pouco espanto quando ele veio ao mundo, seus pais sempre lhe dedicaram todo o amor e o carinho que se deve a um filho, apenas recomendando que ele não se despisse na frente de colegas de escola e amigos da rua. Mesmo assim, a molecada acabou descobrindo que o garoto tinha, por assim dizer, uma vida dupla, e o coitado foi vítima de previsível bullying, embora DDD notasse que boa parte dos zoadores tinha era inveja dele, senão mesmo fascínio homoerótico por sua inusitada condição. E quando chegou a hora do primeiro lesco-lesco com a namoradinha, quase matou a garota de susto, pois não lhe ocorreu avisar que ela iria ter trabalho em dose dupla com ele. “Eu sempre tive dois pênis e, quando olho pra baixo, tudo me parece normal,” ele explica numa entrevista. Ele só não revela se seus dois pintos perderam a virgindade ao mesmo tempo, ou se um deles ficou na fila esperando sua vez de entrar em ação.

DDD conta que seus dois bráulios cumprem com absoluta normalidade suas duas principais funções, urinar e ejacular. Quanto à primeira função, ele afirma evitar banheiros públicos sem box privativo, pois, dispondo de apenas um esfincter uretral, o músculo que controla a micção, não há como evitar que o xixi saia pelas duas mangueiras. A alternativa seria pinçar um dos paus, o que é incômodo demais, diz ele. DDD, porém, já se viu mais de uma vez na contingência de encarar um urinol público de parede para se aliviar, ocasiões em que chegou a ouvir um “Holy Shit!” (Puta merda!) de um sujeito atônito no urinol ao lado.

Quanto ao sexo, a questão é um pouco mais complicada. Não li a autobiografia do bicaralhudo, mas na longa entrevista que ele deu a um site americano, há informações bastante elucidativas sobre o assunto. Pra começo de conversa, ele se declara abertamente bissexual e se gaba de já ter saracoteado com mais de mil parceiros e parceiras na cama. Atualmente, tem um caso fixo com um casal que até conhecê-lo vivia aquela monótona vidinha monogâmico-heterossexual, com a graça sem graça de Deus. Como seus dois pintos tesam e ejaculam com a mesma naturalidade com que urinam, DDD consegue satisfazer o casal simultaneamente, sobretudo quando é agraciado com um duplo “trabalho de sopro” pela dupla.

Na verdade, diz ele, seu pênis direito fica duro com maior presteza, sendo o esquerdo um pouco mais preguiçoso. Nada, porém, que o homem ou a mulher que se encarrega do canhotinho não possa resolver com um pouco de empenho e paciência. Outra particularidade é que um dos biroldos mede 15 centímetros e o outro 18, quando tesos. Não sei se essa diferença, bastante apreciável na hora do vamo-vê, chega a causar algum tipo de disputa entre o cara e a mina do casal. Mas creio que um simples revezamento deve dar conta de manter a harmonia triconjugal na cama. De qualquer forma, do mesmo jeito que ocorre com a micção, os dois pintos ejaculam ao mesmo tempo, de modo a saciar a eventual sede de esperma de seus dois boqueteiros.

E tem mais: o Pica Dupla jura que suas duas ferramentas continuam operacionais depois da primeira ejaculação e que bastam mais uns minutinhos pra soltarem outra carga genética nas bocas e demais orifícios recreativos de seus parceiro(a)s. “Acho que isso tem a ver com a natureza especial do meu encanamento interno,” ele comenta sem excessiva modéstia. “Já cheguei a gozar 10 vezes num período de 4 horas de fodelança.”

Porra, diria eu. Orgasmo múltiplo ali é pinto – pintos, pra variar.

Mas, e a penetration propriamente dita, como é que fica? DDD diz que com homens e mulheres ele costuma mandar uma dp (dupla penetração) no mesmo orifício, arregaçando geral. Mas quando o orifício em causa é muito apertado, o jeito é começar com uma só pingola – a de 15 cm, imagino.

“No final, acabo usando as duas,” ele garante.

Só não sei se, ao transar com mulher, ele dá conta de performatizar uma dupla penetração anal-genital clássica, com uma rola em cada ninho contíguo, como esses dildos duplos de sexshop que dispõem de um pirilau júnior acoplado ao nabo sênior, sendo este para contemplar a vagina e o menor para alegrar o ânus da companheira – quando não rola o contrário. DDD não esclarece essa minha dúvida diretamente, mas um de seus relatos naquela entrevista me parece bastante elucidativo a esse respeito.

Diz o trêfego difálico que, numa das mais formidáveis trepadas de que tem lembrança, ao mesmo tempo em que era enrabado por dois caras de uma só vez, seus dois paus, o de 15 e o de 18 cm, se enterravam gloriosamente nas xotas de duas minas. Qualquer site de gangbang na internet dá várias idéias de como essa dupla pererecagem poderia se realizar com relativa facilidade. Mas a coisa não se resumia a essa configuração já bastante complexa. “Enquanto isso,” conta DDD, “um cara e uma guria trepavam por cima de mim, de jeito a me permitir chupar ora ele, ora ela.”

Ora, ora, tá bom pra você, seu heterossexual unifálico de meia tigela? (rs!)