À FLOR DA PELE

De um lado, Maria Manoella, Didi Wagner, Babi Monteiro, Babi Xavier, Barbara Paz, Caroline Bittencourt, Maria Thereza, Juliana Didone, Luiza Brunet; de outro, Paulo Autran, Jô Soares, Daniel Oliveira etc. Dona de um dos mais expressivos portfólios de celebridades e ensaios sensuais do País, a fotógrafa paulistana Priscila Prade coleciona em Impressões (Ipsis; 250 págs.; R$ 100) os retratos mais significativos – e mais calientes – de sua carreira.

 

Por Ronaldo Bressane

 

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Entre as 169 imagens do livro de fotos de Priscila Prade estão as das atrizes Gabriela Duarte, Juliana Didone e Bárbara Paz, e da cantora Kelly Key, todas em poses pra lá de sensuais

PRETO NO BRANCO

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“Amor é assim/ quem não perdeu/ não sabe o que está perdendo.” Este quase hai-kai poderia resumir A Coragem do Primeiro Pássaro (Lote 42; 64 págs.; R$ 30), do artista plástico e cartunista André Dahmer: uma série de poemas que lidam, entre a melancolia e a ironia, com o luto do amor.

“Língua/ braço armado/ do coração.” Embora impressos em branco contra o fundo negro, e apesar de tratar do pesar da perda, da ausência, do pé na bunda, da dor de cotovelo, da fossa e do gosto de cabo de guarda-chuva, os poemas de Dahmer não são nada pesados. “Na parede que você é/ ainda silva meu vento/ nas suas frestas.” O minimalismo sutil de Dahmer – presente nas tirinhas dos Malvados, Quadrinhos dos Anos 10, Rei Emir e outros –, aliado a um senso rigoroso de composição visual e economia léxica, traduz-se em versos doloridos, cortantes, mas também, de algum misterioso modo, zen e reconfortantes: “A noite faz meus curativos/ a noite beija meus machucados/ a noite impede que você se banhe/ com a água sagrada do meu olho”. Olharno olho da escuridão é para quem tem coragem.

COOL

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A premissa de O Perfuraneve (Aleph; 280 págs.; R$ 60) é tão simples quanto intrigante: durante a Era do Gelo, a humanidade foi reduzida à tripulação de um trem que atravessa o planeta sem parar, eternamente. É claro que inúmeras tretas acontecem no interior desta máquina, conforme trama o impecável roteiro de Jacques Lob, desenhado em preto e branco por Jean-Marc Rochette e Benjamin Legrand). Um clássico da ficção científica em quadrinhos.

Sopa de letrinhas
Os lançamentos mais interessantes do mês

EXISTE AMOR EM ISRAEL

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Ler Etgar Keret é recuperar a crença no gênero conto como motor da melhor literatura que se produz no mundo. Sete anos bons (Rocco; 192 págs.; R$ 25) é autobiográfico: textos curtos vagando entre o relato de viagem e a crônica, todos situados entre o nascimento do filho e seu sétimo aniversário. O mundo às avessas é melhor quando narrado por Keret.

HOMEM INVISÍVEL

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Construído sobre os pouco confiáveis diários do protagonista, O rosto de um outro (Cosac Naify; 288 págs.; R$ 37), de Kobo Abe, é uma história de horror: depois de perder seu rosto durante um acidente num laboratório, um sujeito tenta desenvolver uma máscara perfeita, mas acaba se tornando um homem desconhecido para si mesmo.

CRIME E CASTIGO

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Quer entender como a cabeça de um policial brasileiro funciona? Leia o manual Ponto quarenta (Veneta; 128 págs.; R$ 35), de Roger Franchini. Ex-investigador civil, ele fez uma espécie de romance fragmentado em contos, interligando as carreiras de Vital, um policial que luta contra a corrupção, e Ricardo, o tira corrupto, enredado em uma malha criminal.

PAPAI SABE-TUDO

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Pai de duas crianças pequenas, o filósofo Francisco Bosco reflete em Orfeu de bicicleta (Foz; 156 págs.; R$ 33) sobre o que, no século 21, faz de um pai um pai. Com seu texto cristalino – mesmo que sustentado por conceitos complexos –, Bosco chega a iluminações necessárias tanto aos pais de primeira
viagem quanto aos que já estão bem mareados.