ADÈLE EXARCHOPOULOS: DE CANNES A HOLLYWOOD

Quando pisou na Croisette há dois anos, Adèle Exarchopoulos deixou a plateia atordoada com as intensas cenas de sexo de Azul é a cor mais quente, onde explorou toda forma de prazer feminino ao lado de Léa Seydoux.

 

Por Elaine Guerini, de Cannes

 

STATUS 48 - APPROACH, PROJEÇÃO

Desta vez, mesmo não tirando a roupa em Les Anarchistes, drama sobre o movimento anarquista no século 19 exibido na 68a edição do Festival de Cannes, a francesa manteve a sensualidade explosiva – algo que ela carrega naturalmente tanto dentro quanto fora das telas. “Depois do estardalhaço de Azul, é natural que eu queria fugir das cenas de nudez. Pelo menos por enquanto.” Adèle falou à Status, após a première de Les Anarchistes, que estreia no Brasil no segundo semestre.

– Foi proposital rodar um filme ambientado em 1899, quando o anarquismo era forte na França, criando assim um contraste com a contemporaneidade de Azul, que a consagrou?
– Queria, sim, provar que posso fazer algo diferente, mergulhando em outra época. Mas, no final, acabei atraída pela humanidade que encontrei na personagem. Ela entra no movimento anarquista porque quer ser livre, uma luta com a qual qualquer mulher consegue se identificar.

– Sua personagem diz ter se engajado por amor e não por ódio…
– A ideia do anarquismo, de uma sociedade sem leis, polícia ou forças armadas, é apaixonante, ainda que utópica. Eles foram os primeiros hippies. Acreditavam serem sujeitos de sua história, antes de serem elementos de uma sociedade.Eles tinham um grande amor pelo indivíduo.

– Como Azul mudou a sua vida? Você até foi convidada por Sean Penn para filmar The Last Face (em pós-produção).
– Devo tudo a Azul e ao festival de Cannes. Foi graças à repercussão que o filme ganhou aqui que chamei a atenção de Penn. Interpreto para ele uma voluntária de ONG num país em guerra civil. Foi louco o nosso primeiro encontro. Enquanto tomávamos um drink, eu disse:
Cara, esse momento não parece real (risos).

STATUS 48 - APPROACH, PROJEÇÃO

 

 

TRABALHO EM DOBRO 

O que Natalie Portman tem de frágil, a atriz de tipo mignon (com 1,60 m e 50 quilos) compensa em atitude. Sua primeira incursão em um set de filmagem como diretora e roteirista foi a adaptação do livro A Tale of love and darkness (De amor e de trevas), memórias do escritor israelense Amos Oz, falada em hebreu e rodada em Jerusalém. Exceto por sua presença, na pele da mãe depressiva do autor, não há nada de comercial nessa produção modesta (US$ 4 milhões), que aborda o nascimento do Estado de Israel. O filme foi bem acolhido no último Festival de Cannes, onde ela ganhou o status de cineasta promissora. “Queria estrear com uma obra que resgatasse a minha origem”, disse Natalie, filha de pai israelense e mãe americana. A família se mudou para os EUA quando ela tinha três anos. Houve quem tentasse convencê-la a rodar em inglês. Mas ela não quis saber. “Na minha produtora (a Handsomecharlie Films), só quero tocar projetos pessoais e apaixonantes. O dinheiro é secundário.”

STATUS 48 - APPROACH, PROJEÇÃOSTATUS 48 - APPROACH, PROJEÇÃO
Natalie Portman ganhou status de cineasta promissora  em cannes

 

SEXO EM 3D 

Uma ejaculação em 3D, com o pênis apontado para a câmera, fez de Love o filme-sensação desta 68a edição do Festival de Cannes. Rodado com atores pornôs, como Karl Glusman, Aomi Muyock e Klara Kristin, o título erótico de Gaspar Noé levou duras críticas pelo roteiro inconsistente envolvendo um triângulo amoroso e pelas atuações pouco convincentes (do ponto de vista dramático). Mas não houve quem não falasse de Love, cuja sessão da meia-noite foi a mais disputada de todo o evento, deixando centenas de pessoas do lado de fora da sala, com 2,3 mil lugares.

STATUS 48 - APPROACH, PROJEÇÃO

STATUS 48 - APPROACH, PROJEÇÃO
“Sempre sonhei em fazer um filme que reproduzisse os excessos da paixão física”

 

AMY PARA SEMPRE 

A vida de Amy Winehouse é passada a limpo no documentário de Asif Kapadia, que assinou Senna (2010). Assim como a negligência da FIA contribuiu para a morte do piloto, em 1994, por não ouvir as suas queixas de falta de segurança na F-1, Amy, exibido em Cannes, dá a entender que a overdose fatal da cantora britânica poderia ter sido evitada em 2011. Pena que as pessoas mais próximas não levaram a sério as evidências de seu desequilíbrio emocional.

STATUS 48 - APPROACH, PROJEÇÃOSTATUS 48 - APPROACH, PROJEÇÃO

 

Tomorrowland – Um Lugar onde nada é impossível

STATUS 48 - APPROACH, PROJEÇÃO
A ideia é instigante, apresentando uma sociedade avançada escondida em dimensão paralela. Pena que a fantasia futurista baseada em atração de parque da Disney, o Epcot Center, acabe se perdendo pelo caminho. Ainda assim, vale ver George Clooney no papel de cientista paranoico e o esplendor visual dos cenários inspirados na Cidade das Artes e das Ciências de Valência, na Espanha.

Um Pouco de Caos

STATUS 48 - APPROACH, PROJEÇÃO
Kate Winslet confere espontaneidade e paixão ao retrato da paisagista contratada para desenhar os jardins de Versalhes. Por se envolver romanticamente com o arquiteto do projeto (Matthias Schoenaerts), um homem casado, ela passa a enfrentar as intrigas da corte de Luís XIV (Alan Rickman). É o segundo filme de Rickman na direção, depois de Momento de afeto.

Virando a Página

STATUS 48 - APPROACH, PROJEÇÃO
Hugh Grant recorre ao cinismo que o consagrou nas telas para viver aqui um roteirista de Hollywood decadente. Mesmo tendo conquistado um Oscar, ele não consegue mais escrever, a ponto de engolir o orgulho e aceitar dar aulas em universidade para pagar as contas. Marisa Tomei, no papel de uma aluna mãe solteira, é quem o ajuda a recolocar a vida nos trilhos.

 

Revisitando um clássico

STATUS 48 - APPROACH, PROJEÇÃO

Algumas cenas mais violentas, que tinham sido cortadas de Rocco e seus Irmãos (1960) pela censura italiana na época de seu lançamento, foram reinseridas no clássico assinado pelo mestre Luchino Visconti. Com première na mostra Cannes Classics, a versão integral e restaurada do filme estrelado por Alain Delon, Renato Salvatori, Annie Girardot e Claudia Cardinale foi supervisionada pelo diretor de fotografia Giuseppe Rotunno, atualmente com 92 anos.

STATUS 48 - APPROACH, PROJEÇÃO