SÓ NO XADREZ

Com sobreposições e peças mais largas, o estilo grunge vem influenciando o guarda-roupa masculino desde os anos 90. Neste ensaio, o ator global Rainer Cadete mostra como compor o visual

 

Fotos André ArthuEdição de moda Fabio Paiva  Produção de moda Murilo Mahler Coordenação Ariani Carneiro

 

STATUS 49 - MODA

“Às vezes olho no espelho e não me reconheço”. O comentário de Rainer Cadete resume bem a fase vivida pelo ator, que interpreta Visky, um homossexual de trejeitos afetados na novela Vidas Secretas, da Globo. Dez quilos mais magro, sobrancelha feita, corpo depilado, ele conta que passou ainda por um treinamento de dois meses na Espanha, com o preparador Carlos Corazza, tudo para incorporar o papel no folhetim das 23h. “Foi muita dedicação. É interessante para o ator olhar-se no espelho e ver o personagem”, conta Rainer, pai de Pietro, de 8 anos, fruto de seu casamento com a bailarina e atriz Aline Santos. Aos 27 anos, solteiro e morando em Brasília, onde nasceu, o ator pretende voltar ao teatro assim que terminarem as gravações da novela. “É no palco que a gente consegue realmente experimentar, criar”, diz Rainer. Em sua quarta novela desde que estreou na Globo, em 2009, ele deu uma pausa nas gravações para posar com visuais grunge, neste ensaio de moda para Status.

Do advogado Rafael, seu personagem em Amor à Vida, ao afetado Visky, de Vidas Secretas, você teve de passar por uma intensa transformação. Como foi isso?
– Foi um treinamento intenso, posso te garantir. Todo ator tem seu lado instintivo, que não se pode menosprezar, mas engana-se quem imagina que não precisamos estudar. Passei dois meses na Espanha, com o diretor Carlos Corazza, me preparando para esse papel.

E teve uma transformação física também, não?
– Sim, emagreci dez quilos. Tive de fazer a sobrancelha e me depilar. Dessa parte não vou sentir a mínima saudade (risos). Mas é muito interessante você se olhar no espelho e ver o personagem.

Muitos atores preferem mudar-se para o Rio ou São Paulo por conta da profissão. Mas você continua em Brasília. Algum motivo especial?
– Morei oito anos no Rio, conheci bastante gente. Mas confesso que curto morar em Brasília e tenho desenvolvido um trabalho cultural interessante na cidade, como a peça sobre o centenário de Nelson Rodrigues. De qualquer forma, vivo viajando de um lugar para o outro. Atualmente, acho que ando mais de avião do que de carro.

E já tem planos para quando deixar o Visky de lado?
– Quero voltar ao teatro, com o projeto que homenageia o centenário de um grande nome. Se tudo der certo, o próximo será o da cantora americana Billie Holliday.