JOHN CUSACK

Ator revive dias turbulentos do lendário fundador dos Beach Boys em Love & Mercy

 

Por Elaine Guerini, de Toronto e Los Angeles

 

STATUS 50 - APPROACH, PROJEÇÃO

John Cusack sempre imprime um quê de inteligência, sensibilidade e de estranheza nos tipos que interpreta nas telas. Foram essas características que fizeram dele a encarnação perfeita de Brian Wilson, o fundador dos Beach Boys, na cinebiografia Love & Mercy. O ator relembra a fase conturbada do compositor e músico americano, na década de 80, quando ele se afundou nos problemas mentais, sendo manipulado por seu terapeuta, o dr. Eugene Landy (vivido por Paul Giamatti). Foi a vendedora de carros Melinda Ledbetter (Elizabeth Banks), até hoje sua mulher, que o resgatou do pesadelo. “Abordei Brian, antes de mais nada, como um sobrevivente. Foi uma jornada e tanto tentar canalizar o espírito de alguém de grande coração e com muita vulnerabilidade.’’ Cusack falou à Status em Toronto.

– Calcou a sua performance nas músicas de Brian Wilson?
– Muito. Quando ouvimos as suas canções, percebemos a sua complexidade, ao explorar os tons e os semitons das emoções humanas. Há muitos paradoxos, uma mistura de dor, desespero, ansiedade, esperança, felicidade e êxtase, o que eu procurei trazer para a performance. Ouvi muito o álbum Pet Sounds (1966) e algumas faixas do Smile (rodado entre 1966 e 1967), projeto que foi abandonado por Brian, numa fase difícil, mas reinterpretado por ele, décadas depois (em 2004).

– Por ser um ator com escolhas pouco convencionais, conseguiu se identificar com a luta interna do músico?
– Sim. Todo artista deve se colocar no lugar de Brian, no sentido de permanecer fiel a si mesmo, uma postura não muito apreciada nos dias de hoje, quando querem o sucesso comercial a qualquer custo. É a eterna briga entre a arte e a indústria.

– Pediu a benção de Brian Wilson antes de filmar?
– Claro. Como o período que eu relembro na vida de Brian foi uma época de reclusão, não pude recorrer a material de arquivo durante a minha pesquisa. Ainda havia o agravante de todas as lendas que as pessoas contavam sobre ele naquele momento. Foi por isso que eu insisti para visitar Brian e Melinda para conversar com eles, buscando um retrato o mais preciso e fiel possível.

– No ano que vem, você completa 50 anos. Qual o segredo para envelhecer bem em Hollywood?
– Não sei (risos). Só posso dizer que a minha aparência sempre me permitiu viver do mocinho ao bandido nos filmes, o que me salvou. Poderia ter sido aprisionado num único papel se fosse um cara bonito. O que, obviamente, não é o caso.

QUESTÃO SOCIAL

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Premiado em Berlim e Sundance, Que Horas Ela Volta? emociona com a rotina da doméstica pernambucana (Regina Casé) na casa de uma
família paulistana. O filme mostra o tratamento de segunda classe que as empregadas recebem, apesar de serem “da família”.

A garota de Woody Allen

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Apesar do pessimismo incorrigível e do gosto pelas neuroses humanas, Woody Allen sempre se cercou de mulheres com aura luminosa nos sets. Emma Stone, hoje uma das maiores apostas da indústria do cinema, é a beldade da vez. Depois de estrelar Magia ao Luar, a ruiva de olhos verdes vive uma universitária que tenta tirar seu professor de filosofia da depressão em Homem Irracional. “Já estou pegando o jeito. Como Woody não gosta de ensaiar e nem dá muitas orientações aos atores durante as filmagens, encontro o ritmo e o tom da minha performance conforme a história avança”, diz a atriz. Woody explica: “Nunca atribuo a mim o crédito das boas atuações nos meus filmes. Só escolho os melhores profissionais para cada papel e tento não atrapalhá-los, enquanto eles fazem o que foram chamados para fazer”.

Na vibe de Hollywood

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De 2004 a 2011, Adrian Grenier encarnou a fantasia de tantos marmanjos: ser um astro de cinema com as mulheres mais gatas a tiracolo e todas as mordomias do mundo. A versão cinematográfica da série Entourage (inspirada na vida de Mark Wahlberg, pág. 56) resgata a dolce vita do ator Vince Chase, que agora quer ser levado a sério, virando diretor. Mas a sinopse é só uma desculpa para Chase e sua turma continuarem curtindo a vida loucamente, com festas, sexo e drogas – só que agora nas telas.

Arriscando a pele

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É mesmo Tom Cruise agarrado à porta de um Airbus A400M, a 5 mil pés de altitude? É. Para viver Ethan Hunt em Missão: Impossível – Nação Secreta, o ator dispensou dublês em cenas perigosas. Embora preso ao avião por um cabo (eliminado na pós-produção), ele correu o risco de ser atingido em alta velocidade por partículas, vapores do combustível e aves.

Estreias do mês
Heróis, espiões e líderes políticos

O Quarteto Fantástico

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Reinício da franquia dos heróis que ganham poderes com a radiação cósmica. O diretor Josh Trank aborda a história da Mulher Invisível, do Senhor Fantástico, do Tocha Humana e do Coisa como se fosse um filme de autor, mais obscuro.

O Agente da UNCLE

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O diretor Guy Ritchie resgata com glamour a série satírica de espionagem americana, que fez sucesso na década de 1960. Agentes secretos de organizações concorrentes (um da CIA e outro da KGB) são recrutados para uma missão em comum.

Jimmy’s Hall

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Ken Loach relembra aqui a trajetória verídica de James Gralton (1886-1945), líder comunista irlandês. Exibida em Cannes, a obra reforça a tendência do cineasta britânico em expressar sua solidariedade às classes trabalhadoras na tela.