LARISSA ERTHAL BATE UM BOLÃO

Muito além do que só entender das misteriosas leis do impedimento, a atriz e jornalista invadiu a área machista do futebol para se tornar a mais interessante das apresentadoras de programas esportivos do País

 

Fotos André Nicolau  Texto Ronaldo Bressane  |  Edição Ariani Carneiro Beleza André Veloso (Capa Mgt) com produtos Revlon e L’Oréal ProfessionNEL Produção de moda e executiva Marina Felício  |  Assistente de foto Rodrigo Graff

 

STATUS 50 - CAPA

Torcedora da Portuguesinha da Ilha do Governador (RJ), descendente de alemães, a carioquérrima Larissa Erthal é a bola da vez entre as musas do futebol do Brasil. Apresentadora de dois programas na Band, a bela trata com intimidade a bola – e não deixa de dar suas “botinadas” nos panacas que abusam de seu jeitinho ao tratar o machismo anacrônico ainda impávido no mundo do futebol brasuca. Com delicadeza e humor, a atriz e jornalista conta: “Sou carne de pescoço. Precisou, dou patada mesmo!”. Mas o futebol apareceu em sua vida quase que por acaso – o pai mal a levou ao Maracanã quando criança. Desiludida com as artes cênicas, depois de morar nos EUA, Larissa terminou a faculdade de comunicação e teve a sorte de pegar um estágio na TV já como apresentadora; apaixonou-se pelo jornalismo esportivo e foi convidada a substituir a musa boleira Renata Fan. Hoje vive na ponte aérea: durante a semana no Rio para o Jogo Aberto, aos findes em SP para o Terceiro Tempo – ela aproveita a estada paulistana para conferir as peças em cartaz. Na vida pessoal, porém, Larissa mantém distância do futebol. Moradora do mesmo prédio que o atacante Emerson Sheik, do Flamengo, brinca que “teve a sorte” de nunca encontrá-lo no elevador. Defensora do poder da gentileza, da levada e da simpatia, Larissa pede atenção ao ensino do futebol na infância para combater a corrupção na CBF e “ensinar o povo a respeitar a amarelinha” – e também condena a sisudez e a violência nas discussões esportivas. “É só um jogo, gente!”

Como é aturar as gracinhas de Milton Neves e companhia?
– Na TV ele é um personagem, o tiozinho sem noção. Fora das câmeras, nunca faltou ao respeito. É a pessoa mais generosa com quem trabalhei. Mesmo quando faz uma piada sem graça ou uma brincadeira fora do tom, a gente leva ele como aquele vovozinho que conta dez vezes a mesma história (risos), tem que ter paciência com o tempo das pessoas mais velhas (risos).

E lidar com o machismo futebolesco?
– Sou carne de pescoço, fora do ar eu pego pesado, chego até a ser baixo nível. Faz parte dessa brincadeira. E gostam de mim porque não me intimido. Mas no meu interior às vezes fica: ‘Eu não falaria isso’. Já respondi tipo ‘É mesmo? Quer me comer? Mas sem Viagra você não é de nada, vai fazer o quê comigo?’. Brincadeiras que nem têm a ver comigo, não faria com meus amigos.

Rola assédio?
– Não. Falam bobagem mais para testar meu limite.

Nem de boleiros?
– Nunca encontro esses caras, não vou a externas, não vou a festas. Engraçado é que moro no mesmo prédio do Sheik (risos), mas nunca nem peguei elevador com ele. Sorte a minha (risos). Nenhum jogador de futebol nunca me faltou com o respeito.

Já foi cobrada por feministas por ser legal demais com seus colegas de trabalho?
– Me encheram muito o saco na época em que jurei que ia tirar a roupa no ar se o Brasil não ganhasse a Copa [ela só tirou um casaco].
Mas é claro que era uma brincadeira em que eu estava superconsciente. Não consigo ver as coisas de modo tão pesado; eu estava fazendo uma brincadeira ingênua, leve. Feminismo às vezes passa um pouco do ponto.

Ser bonita incomoda?
– Seria um desrespeito à minha mãe e ao meu pai não usar minha beleza (risos) a favor. Faço TV, não rádio, então tenho que usar todos os elementos que a TV me permite, como a beleza.

As meninas do futebol ganharam o ouro no Pan e não foram manchete em jornal nenhum. O que falta para que as mulheres tenham o espaço que merecem?
– É uma coisa cultural. Nos EUA, o soccer é muito mais difundido e praticado pelas mulheres desde a infância. No Brasil, as escolas ainda ensinam as meninas a jogar queimada! Isso tem que mudar. É triste, mas não dá para competir com décadas de divulgação do futebol masculino.

 Se fosse presidente da CBF, o que faria?
– Vamos parar de roubar, né, pelamordedeus? Fico assustada com os valores, não são um ou dois milhõezinhos, são 20, 30, 50! Parece doença! Varreria todo mundo que está na CBF e pediria para voltar a olhar com amor para a amarelinha. Acho que precisamos resgatar o amor genuíno pelo futebol lá na várzea, tratar melhor o futebol infantil. Senão daqui a pouco nenhum garoto vai usar a camisa da Seleção, vai ficar só fantasiado de torcedor do Manchester ou do Barcelona.

Pensa em ser comentarista?
– Ainda não estou pronta para isso. Gosto de apresentar. Quero cobrir esta Olimpíada e uma fora do Brasil, além de uma Copa. Depois talvez eu pense em outro foco para minha carreira, algo entre gastronomia ou entretenimento. No futuro eu me vejo apresentando um programa feminino. Sou muito mulherzinha (risos).

Joga bola?
– Não faço esporte nenhum. E detesto academia. Isso aqui é só genética mesmo, só como porcaria. Comecei faz pouco tempo uma atividade chamada terapia ativa, que reúne pilates, circuito, circo e slack line. Estou curtindo, cada dia é diferente.

Ídolo? Muso?
– Zico é a pessoa que mais me emociona. Acho lindo o Beckham e detesto o jeito muito metrossexual do Cristiano Ronaldo.

Namorado?
– Há quase três anos. E ele ainda não me pediu em casamento… (risos) O Leonardo é advogado. Superseguro, zero ciumento. Ciumenta sou eu! Afinal, venho para SP todo fim de semana e ele fica lá sozinho no Rio de Janeiro… Nosso combinado é que ele pode ir a barzinhos, mas nada de festas (risos). Mas ele nunca se estressa com o assédio dos fãs. Nos conhecemos num carnaval, mas éramos amigos desde a infância e nem sabíamos – nascemos no mesmo bairro, na Ilha do Governador.

É do samba?
– Minha escola é a União da Ilha. Adoraria ser convidada para desfilar, mas não sei se ficaria à vontade usando um biquininho daqueles sacudindo tudo (risos).

O que mais te irrita no futebol?
– O exagero como as pessoas tratam o esporte. Afinal, é só um lado da vida, não o único. Às vezes tenho vontade de dizer no ar: gente, calma, é só futebol! As pessoas perdem a noção. Vamos desestressar! Uma das causas que explicam por que as pessoas estão gordas é o estresse, porque a tensão libera cortisol, que deixa a gente inchada. Precisamos ter mais leveza. É só um jogo, gente!