NATÁLIA RODRIGUES

A atriz da novela global verdades secretas do jeito que sempre sonhamos: livre, leve e solta

 

Fotos Fernando Mazza Edição Ariani Carneiro  |  Stylist Dudu Farias |  Beleza Robson Almeida (com produtos Nars e Schwarzkopf) texto Jr. Bellé

 

STATUS 51 - CAPA

Natália Rodrigues, 34 anos, é uma assídua frequentadora da ponte aérea Rio-São Paulo. Sua base é na terra da garoa, onde estrela o espetáculo Caros Ouvintes, mas mantém uma casa na cidade maravilhosa, onde grava Verdades Secretas, sua décima novela – a primeira foi em 2002, Desejos de Mulher, de Euclydes Marinho. O vai e vem, no entanto, não incomoda a atriz. Ela faz tudo para estar presente em mais um trabalho de Walcyr Carrasco: “Já é a terceira novela que ele me convida para fazer. É um privilégio, pois ele sempre escreve obras incríveis. Tomara que me chame para outras, já estou acostumada com essa correria entre as capitais”, diz. Além do mais, ela aproveita o voo para escutar um pouco de música, como um relaxante The Cure. “Ando ouvindo muito Placebo e Passenger também”. Suas preferências musicais estão sempre à mostra: Natália gosta de vestir camisetas de banda, que ficam minuciosamente organizadas por cores em seu armário: “Não pode misturar de jeito nenhum! Sou extremamente certinha com isso”. Mas nem só de TV e teatro vive Natália, que está filmando seu quinto longa-metragem: “O filme se chama Elis, e claro, é sobre a Elis Regina, com direção do Hugo Prata”. Em 2014, Natália fez parte do elenco da comédia de Marcus Baldini, Os Homens são de Marte… E é pra lá que eu vou, um sucesso de bilheteria do cinema nacional.

No pouco tempo que tem quando não está envolvida em nenhum dos três projetos, Natália gosta mesmo é de ficar em casa, debaixo das cobertas, vendo seriados e mais seriados: “Estou viciada no Netflix. Passo dias e noites inteiras assistindo. Por isso, nos últimos tempos, não tenho visto nada de TV aberta”. Suas séries preferidas são The Killing, Game of Thrones e The Returner. “Também estou lendo Tête-a-Tête, sobre a Simone de Beauvoir e o Sartre”. Inspiração, certamente, não lhe faltará.

Você está trabalhando, ao mesmo tempo, em cinema, televisão e teatro. Qual dá mais tesão?
– Os três dão tesão. Estou num momento muito pleno da minha carreira, tendo oportunidade de realizar essas três coisas ao mesmo tempo. Está sendo um crescimento artístico gigante.

Tempos atrás você fez seriado também, A Segunda Vez, do Multishow, baseado no livro A segunda vez que te conheci, do Marcelo Rubens Paiva.
– Eu fazia uma cafetina bissexual chamada Fabi.

Foi difícil interpretá-la?
– Foi a personagem mais desafiadora até hoje, um divisor de águas para minha carreira. Foi muito importante ter interpretado essa personagem. A Fabi trabalhava na noite, fazia parte de um submundo. Ela se envolve com uma das prostitutas da sua agência, começa a namorá-la e se mete num triângulo. Ela era bem complexa.

Você já sentiu desejo por mulheres?
– Não. Eu sou supercareta. Sempre fui uma pessoa que casou e viveu namoros longos. Não sou de balada nem de pegação. Tive cinco namorados e um marido nestes meus 34 anos. Não tive mais homens do que essas pessoas.

Mas então foi difícil gravar as cenas quentes de pegação com a Eline Porto?
– Não foi nada difícil. Muito pelo contrário, foi fácil de fazer. Até porque foi uma escolha que fiz como atriz. Eu sou um outro tipo de careta, uma pessoa que não é moderna, digamos. Mas com a vida eu não sou careta. É muito tranquilo para mim, sou muito bem resolvida com nu e essas coisas. Não tenho preconceitos, julgamentos, nada disso. Acho que cada um tem que fazer o que é importante para si mesmo e assumir isso.

Então talvez você e a Fabi, mesmo sendo tão diferentes, têm algo em comum: são livres e decididas.
– Não acho que eu seja livre, mas tenho personalidade forte e tenho minhas opiniões.

Então vou te pedir uma opinião sobre o amor: no amor, fidelidade rima com exclusividade?
– Eu acho que viver com alguém é uma liberdade de escolha e prezo demais as minhas escolhas. Elas podem até ser erradas, assumo os erros. Eu opto em estar com alguém, ninguém me obriga. A partir do momento em que eu não quero mais estar com esse alguém e me sinto atraída por outra pessoa, não há mais motivos para estar junto. Isso já aconteceu na minha vida, então fui lá e terminei a relação. Para mim, fidelidade é o respeito que tenho, não só pelo outro, mas principalmente por mim mesma.

No meio disso há o tema da traição.
– Eu respeito muito as minhas próprias escolhas e acho muito medíocre enganar a si próprio. A traição, mais do que trair a outra pessoa, é trair a si mesmo. A outra pessoa pode até nunca vir a saber o que aconteceu, mas você sabe. O importante é poder colocar a cabeça no travesseiro e dormir em paz. Isso é o que eu mais prezo na vida. Porque a traição não é só entre um homem e uma mulher, mas entre amigos e familiares, no trabalho e na vida. É uma questão de caráter.

Você se acha sedutora?
– Eu me aceito do jeito que sou. Não sou a mulher mais linda do mundo, não tenho o corpo mais perfeito do mundo, nem a barriga mais trincada. E está tudo certo. A minha sedução não está em mostrar para o outro o quanto eu sou sedutora. Eu acho que a sedução está na personalidade, e não na roupa que eu coloco ou no jeito que eu me maquio. Sou muito simples, estou sempre de coturno, calça fusô, camiseta de banda, jaqueta de couro. Não escovo o cabelo e quase nunca uso maquiagem. E mais, acho que isso é sedutor. Ter personalidade forte é sedutor. Eu ando na rua e não chamo a atenção, mas me acho uma pessoa bem interessante.

Se um dia fizessem um filme sobre sua vida, que conselho você daria para a atriz que fosse te interpretar?
– Putz, primeiro que eu não deixaria ninguém me interpretar. A não ser que eu estivesse morta, eu mesma me interpretaria.